- 03 de fevereiro de 2026
Não confundir as coisas
Edersen Lima, Editor
Brasília - A jornalista Andrezza Trajano está sendo processada pelo PSDB por campanha negativa antecipada contra o governador José de Anchieta. Aí, meia turma de colegas ficou indignada, a começar pela própria Andrezza que pelo visto nunca teve um oficial de justiça entregando-lhe cópia de processo em que figure como réu.
No Twitter, Andrezza foi enfática ao publicar que Anchieta gastou R$ 1 milhão de reais na festa de seus 45 anos. Em tempos que o público é muitas vezes misturado ou trocado pelo privado, afirmar tal coisa soa como se lá, no regabofe do governador, dinheiro público foi usado.
Andrezza e a turma passaram a questionar "cadê a liberdade de expressão?". Ela, a liberdade de expressão, está aí, aqui e acolá para ser usada, publicada, veiculada, explorada e o escambal desde que se prove o que se afirma.
Teve quem falasse em "mordaça", em "coação", em "intimidação" e outros "çãos", como se um processo judicial fosse o fim do mundo, o armagedon.
Gente, o que mais tem por aí é jornalista sendo processado por político! Eu mesmo, sou processado pelo "patrão honorário" de Andrezza, o professor Getúlio Cruz, político com condenação da justiça federal nas costas por desvio de dinheiro público (em torno de US$ 10 milhões de dólares) na obra faraônica da dragagem do rio Branco.
Quem escreve o que pensa tem que ter noção que a partir do momento em que expõe suas opiniões tem que estar preparado para as reações que elas desencadeiam. Qualquer pessoa, governador ou não, se sentindo caluniado ou difamado tem o direito de buscar reparações na justiça, ou não?
Sem escarcéu, sem melodrama e dispensando os discursos de botequim, basta à Andrezza publicar as notas fiscais e recibos da festa provando o que afirmou. Pronto, sustenta-se a tal liberdade de expressão tão clamada pela turma.
O que não se deve é confundir as coisas: liberdade de expressão com boatos, mentiras ou informações sem provas. A credibilidade e respeito conquistados por Andrezza, sem a devida apuração e comprovação do que ela afirma, é que podem acabar sendo questionados e não a livre manifestação de seu pensamento.
