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Opinião Formada

Uma relação bastante cordial


Edersen Lima
De Brasília

Uma relação bastante cordial
Membros do Conselho Nacional do Ministério Público vão a Roraima (de 11 a 15 de junho) e poderão conferir a leniência do órgão local em não apurar denúncias graves de má aplicação de dinheiro público e desvio de contuda de membros de poderes constituídos. Pesa sobre o MPE, a suspeita de fazer corpo mole em certos casos que envolvem a gestão do deputado Mecias de Jesus (foto abaixo) como presidente da Assembléia Legislativa. Mecias contratou conjugues de promotores e sempre se manteve solícito aos pedidos de aumento de orçamento e complementação orçamentária feitos todos os anos por procurados do MPE. Há, entre o MPE e Mecias de Jesus uma relação bastante cordial.

Daí, talvez, nenhum denúncia, das várias protocoladas contra Mecias, ter merecido qualquer apuração do MPE. O prédio da ALE, por exemplo, construído na gestão de Mecias, levou mais de \"\"um ano para ser entregue do prazo acordado em contrato. Aquele misto de rodoviária com ginásio de esportes custou aos cofres públicos mais de R$ 23 milhões, ou duas vezes o que custou o edifício Varandas do Rio Branco, que tem cinco vezes mais andares, piscinas, fundações, elevadores (um panorâmico) e acabamento muito superior ao da reforma feita pela ALE, sob coordenação de Mecias.

O MPE nunca apurou denúncia de contratação irregular de servidores feita também na gestão de Mecias durante os meses de campanha eleitoral em 2010, quando Mecias se elegeu com quase o dobro de votos sobre o segundo colocado e ainda elegeu deputado federal o filho que vivia em Manaus e nunca prestou um serviço social que o credenciasse a tanto.

Cabe lembrar que a ALE, de julho a setembro de 2010 estava em recesso branco, e é apontada em denúncia que aumentou seus gastos não só em contratação de pessoal, mas em aluguel de carros, serviços gráficos e diárias para servidores. Pesa ainda, denúncia de que a ALE preparava sempre um Diário Oficial suplementar, que em caso de auditoria sobre suas contas para batimento sobre o emprego do orçamento, seria apresentado.

Desde semana passada, o MPE se recusa a informar se tomará medida apuradora sobre desvio de dinheiro e finalidade por parte de Mecias de Jesus, que recebeu 10 diárias (em torno de R$ 18 mil) para realizar trabalho legislativo em São Paulo e Rio de Janeiro, em julho do ano passado, quando todas as assembléias legislativas do país estão em recesso de meio de ano, mas foi para Manaus acompanhar os festejos de colação de grau e festa de formatura da filha Jenifer, no curso de Medicina da Faculdade Nilton Lins.

O MPE, em todas essas acusações não tomou nenhuma providência que se tenha notícia. Enquanto isso, conjugues de membros do mesmo MPE, são chefes de setores na ALE, conjugues esses contratados pela ALE na gestão de Mecias de Jesus, réu no rumoroso Escândalo dos Gafanhotos, onde responde no TRF1 por peculato, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha junto com a mulher, o sogro e um cunhado. 

Se o MPE não dá olhos e ouvidos às denúncias contra Mecias de Jesus, quem sabe, conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público, não fiquem curiosos sobre tal relação bastante cordial.
 
Abaixo, a reportagem apontando sobre Mecias de Jesus, com diarias da ALE, em festa de formatura da filha.
 
Questionamentos intrigantes
A informação é boa para o conselheiro Netão Souto Maior, que em questões de apurar denúncias de uso indevido de diárias, é um verdadeiro "The Flash". O Ministério Público Estadual deveria se interessar também pelo assunto, mas a exemplo de não ter feito nada em relação às suspeitas de superfaturamento na obra de reforma do prédio da Assembléia Legislativa, deve ficar de fora, mesmo.

A Coluna levanta alguns questionamentos intrigantes baseados em documentos e fotos do que se suspeita ser um exemplo da farra das diárias na Casa do Povo, dessa vez promovida pelo nobre deputado Mecias de Jesus, que além do milagre da multiplicação dos bens, desenvolveu talento também para operar o milagre de estar em dois ou três lugares ao mesmo tempo, nesse caso em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro, no período de 6 a 19 de julho do ano passado, com passagens e diárias recebidas da ALE.

Consta no Diário Oficial do Poder Legislativo, edição do dia 4 de julho, autorização para o deslocamento de Mecias de Jesus para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para tratar de assuntos de interesse da Mesa Diretora. Foi-lhe concedido dez (10) diárias de quase R$ 2 mil cada uma. Para tanto, Mecias ainda levou um segurança, também com direito a passagens e dez diárias pagas na realidade por você, amigo contribuinte. 

Ocorre que, no dia 7 (um dia depois de "viajar a trabalho" para São Paulo e Rio), Mecias estava em Manaus participando da solenidade de colação de grau da filha Jenifer de Jesus, como pode ser comprovado pela foto abaixo. Ver baixo:
 
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Três dias depois de entregar o diploma à filha que se formou em Medicina, Mecias de Jesus continuava em Manaus e junto com o assessor braço direito, J.R. Rodrigues, comemorava a festa de formatura de Jenifer. Isso na noite do dia 11 de julhp, como também pode ser comprovado pelo registro abaixo onde a máquina fotográfica, inclusive, informa a data. 
 
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No dia 13 daquele mesmo mês de julho de 2011, Mecias foi ao Aeroporto Eduardo Gomes, ainda em Manaus, se despedir da mulher Darbilene Rufino do Vale, a Dárbi, como é conhecida nas colunas sociais, que acompanhada da filha Darbizinha, viajou para Miami, Estados Unidos, para passar as férias em Orlando no mundo maravilhoso da Disney.

Computando, de 6 a 13 de julho, são oito dias passados em Manaus. Mas as passagens e diárias para Mecias e seu segurança não eram para ir "tratar de interesses" da ALE em São Paulo e Rio de Janeiro? Mecias teria a boa vontade de apresentar os bilhetes utilizados nessa sua missão oficial?

Mais uma perguntinha: O que tratavam mesmo os tais "assuntos de interesse da ALE" para Mecias viajar em pleno recesso parlamentar para o Rio e São Paulo?

Há outras viagens com direito a gordas diárias que Mecias de Jesus utilizou também de forma intrigante, que a Coluna se compromete a divulgar. Por enquanto, a palavra fica com o conselheiro Netão Souto Maior e, por ventura, com o Ministério Público Estadual.

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