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Opinião Formada

A verdade, amigo leitor, é só uma. As versões dos fatos é que são várias.


As versões é que são várias

\"\"Edersen Lima, Editor

Brasília – É praxe ouvir que a notícia, o fato, tem, pelo menos, dois lados. Nas questões judiciais existe o termo “contraditório” para que se saiba a versão do que ou de quem se acusa. Até em casa, nas disputas entre irmãos, há a verdade de cada um, como se até a verdade, tivesse duas pontas, dois lados.

Acompanhando três notícias ou fatos publicados neste Fontebrasil, me veio esse questionamento sobre as versões da verdade. O caso do estupro ou do sexo consentido entre o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Straus-Kahn e a camareira Nafissatou Diallo, uma africana exilada nos Estados Unidos, formou na opinião pública mundial a visão do pernóstico comportamento machista e superior do homem branco, rico e poderoso sobre uma mulher negra, pobre e insignificante. Vestígio de sêmen de DSK foram encontrados nas roupas da  camareira. O próprio Dominique assumiu que houve sexo, porém, consentido.

Dias depois, não satisfeitos com as contradições de Diallo, os promotores do caso apuraram atos suspeitas dela, como a demora em denunciar o estupro, a tranqulidade com que depois o fez, os telefonemas feitos a um namorado preso por tráfico de drogas e as conversas  que teve com ele sobre “ganhar um bom dinheiro com isso”, apontaram outro rumo para o caso. DSK foi solto e a dúvida ou outra certeza ou outra verdade passou a pesar na opinião pública.

\"\"Há duas semanas, o ex-deputado Neudo Campos recebeu a segunda condenação a 16 anos de regime fechado acusado de ser o chefe da quadrilha que desviou cerca de R$ 70 milhões dos cofres do estado no famoso Caso dos Gafanhotos. Ele re-afirmou que é vítima de perseguição do juiz federal Hélder Girão Barreto e que provará sua inocência. Esse é o seu lado do fato. É a verdade de Neudo.

Mas  os funcionários “laranjas”, as procurações passadas em cartório público, os saques em dinheiro vivo, as investigações da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que apontaram apropriação irregular de salários; as prisões dos envolvidos, tudo isso não aconteceu, não são fatos?

Em setembro do ano passado, Neudo teve a oportunidade ímpar de ser julgado pela mais alta e preparada corte judicial do país, o Supremo Tribunal Federal, mas preferiu renunciar ao cargo para que o seu processo retornasse para onde retornou, às mãos da justiça federal em Boa Vista para ser julgado por quem acusava de perseguição. Dá para entender isso? Quem, Neudo, está, então, acima de qualquer suspeita ou nível para lhe julgar? Qual a verdade disso tudo?

E também há duas semanas, uma foto da mulher do ex-presidente da Assembléia Legislativa de Roraima, Darbilene Rufino do Vale, publicada na Coluna, gerou protesto de um leitor. A foto mostrava Darbi, como é conhecida nas páginas sociais, depondo na Polícia Federal com o filho pequeno no colo. Ela é ré no Caso Gafanhotos, apontada pelo MPF como a principal procuradora do esquema que desviou para as contas do marido mais de R$ 1 milhão de reais em salários de “laranjas”. Ela, juntamente com Mecias, o irmão Donilvon Rufino do Vale e o pai, o vereador Afonso Rodrigues, respondem ainda por formação de quadrilha.

\"\"O leitor protestou por achar desnecessário veicular uma imagem de uma mãe com um filho no colo depondo numa delegacia. Mas essa imagem é um fato. É a conseqüência de um fato, a investigação de desvio de dinheiro público e de apropriação indevida de salários de acordo com a Polícia Federal.

A outra verdade pode-se perguntar à Darbi se houve ou não intenção de sensibilizar procuradores do MPF, delegados da PF e, principalmente, a imprensa que cobria o caso, ela se fazer presente com o filho no colo. Mulher do então presidente da ALE, Darbi não teria condições de deixar o filho com babás, enfermeiras ou com o pai e evitar que a criança fosse exposta? Darbilene não sabia que a imprensa estaria lá na Polícia Federal lhe esperando para noticiar o fato?

Nas três notícias exemplificadas neste texto, não se tem nenhuma dúvida de que alguém fala a verdade e alguém mente. A verdade, amigo leitor, é só uma. As versões dos fatos é que são várias.

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