- 03 de fevereiro de 2026
Há algo de podre no
reino da Dinamarca
Edersen Lima
De Lisboa
Há o provérbio que diz que a "à mulher de César não basta ser honesta; ela tem que parecer honesta". O custo estratosférico da reforma do prédio da ALE impôs as situações que hoje a Assembléia Legislativa, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas vivem. A esta coluna, advogados, jornalistas, engenheiros, enfim, leitores se juntam na desconfiança de que deputados, promotores, procuradores e conselheiros vivem em outro mundo não se questionando: Como aquele prédio da ALE pode ter custado mais de R$ 18 milhões?
O custo de cálculos de base e fundação; os gastos com material em cimento, areia, vidro, aterro, tijolos, tinta, peças de banheiros, madeira, porcelanato, cabos de fio de energia, luminárias, elevadores panoramico e normais; com uso de mão-de-obra 10 vezes superior à reforma na Assembléia fora gastos com projetos de arquitetura e engenharia do edifício Varandas do Rio Branco ter o total de R$ 8 milhões e aquele arremedo de ginásio esportivo com rodoviária custar algo em torno de R$ 140% a mais, só essa turma de promotores, procuradores, conselheiros e deputados não enxergam o disparate.
O deputado Flamarion Portela, engenheiro, agora zelador da coisa pública e que avalisou a obra acha que aquilo custou mais de R$ 18 milhões? Sim, acha.
O empresário que tocou a obra é um denunciado da Justiça Federal, preso na operação Saúva da Polícia Federal como chefe da quadrilha que surrupiou dinheiro público em licitações públicas de compras materiais e serviços diversos na região Norte, reponde em liberdade por causa dos advogados que banca em Brasília, e o presidente da Mecias de Jesus, não sabia disso?
O mesmo Mecias de Jesus neste ano operou o milagre de eleger deputado federal um filho estudante de Medicina com a terceira maior votação. Esse milagre foi operado só com o discurso de Mecias?
O próprio Mecias se re-elegeu com quase o dobro de votos do segundo colocado, também sem gastar a montanha de dinheiro que outros candidatos gastaram nesta eleição?
No começo do mês Mecias foi ao MPE dizer que esta coluna fazia campanha contra ele. Bastou isso para os procuradores e promotores do MPE decidirem que não iriam entrar em questões políticas. Mas a reforma do prédio da ALE é questão de dinheiro público, do contribuinte. A política disso está justamente em não se apurar nada.
No TCE, o presidente Manoel Dantas nunca ouviu falar nos diários suplementares da ALE. Mas a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral podem, sim, investigar quanto em dinheiro entrou e saiu; o que se pagou e para quem durante o período eleitoral. Em pleno recesso branco, quanto Mecias autorizou gastos com pagamento de diárias de servidores, de serviços gráficos, de aluguel de veículos e agamento de publicidade?
AInda em outubro, a ALE demitiu mais de mil servidores. Há informação que outros mil já teriam sidos contratados, indicados pelos novos deputados, e o Ministério Público Estadual não quer se meter em questões políticas. Se verdadeira a informação, está se fazendo política clara com dinheiro público.
Por curiosidade, quanto a ALE gastava até setembro com folha de pessoal e como acomodava tantos servidores naquele espaço reduzido da Casa Paulo VI?
Na coluna anterior publicamos parte do quanto de parentes e conjugues de autoridades, inclusive do MPE, estão empregadas na ALE. Parentada essa de gente que trabalha para Mecias de Jesus, para Iradilson Sampaio e ligada a Mozarildo Cavacalnti, todos adversários políticos do governador José de Anchieta.
Sim, amigo leitor, a mulher de César não tem que ser apenas honesta, tem que parecer honesta para que outra frase, clássica de William Shakespeare, na obra "Hamlet", não páire no ar: "Há algo de podre no reino da Dinamarca."