- 03 de fevereiro de 2026
Uma campanha sórdida
Edersen Lima
De Pisa
O Ministério Público Estadual não vê nenhum absurdo nos custos da reforma - mais de R$ 18 milhões - do prédio da Assembléia Legislativa de Roraima, e sim, uma articulação política para desestabilizar as relações profícuas e respeitosas entre as duas instituições. A informação é de um membro do próprio MPE transmitida ontem à coluna.
Segundo a fonte, há duas semanas, o presidente da Assembléia, deputado Mecias de Jesus, esteve no prédio do MPE conversando com procuradores e promotores alegando ser vítima de uma "campanha sórdida" do Fontebrasil patrocinada por seus adversários políticos que pretendem a qualquer custo rifá-lo da possibilidade de ser re-conduzido mais uma vez para a presidência da Assembléia, embora ele jure que não é candidato.
Sem tremer um músculo do rosto, Mecias disse aos promotores que a reforma no prédio valeu cada centavo gasto na obra. Aliás, segundo ele, o prédio teria saído até mais caro, porém houve uma sensibilização do empreiteiro dono da empresa vencedora da licitação, um tal Cristiano Silva - preso em Manaus pela Polícia Federal na Operação Saúva como chefe da quadrilha que fraudava e desviava dinheiro público em licitações em vários estados -, que reajustou por baixo o valor do contrato que teve aditivo e foi entregue com atraso de mais de um ano do prazo assinado.
Em outras palavras: aquilo que chamam de reforma por mais de R$ 18 milhões, saiu barato!
Os procuradores e promotores do MPE se mostraram satisfeitos com os comparativos entre a reforma do prédio da ALE e a construção do edifício Varandas do Rio Branco, de mais de 20 andares que consumiu quase 20 vezes mais material, mão-de-obra, custo de acabamento, peças, além de gastos com cálculos, fundação e base superiores aos do prédio reformado por Mecias e Cristiano.
Para certificar que tudo correu direitinho na obra, Mecias informou ao MPE, e os procuradores e promotores ficaram ainda mais convencidos de que tudo está dentro da ordem, que o deputado Flamarion Portela, ex-governador e engenheiro, ficou como responsável para aprovar a obra. O que foi feito.
Diante da exposição de Mecias, o recado do MPE de que nada investigariam. Nada contestariam. Nada, mas nada, mesmo, fariam com relação ao absurdo preço de mais de R$ 18 milhões gastos na reforma-construção de um prédio que a olho nú, se enxerga, repete-se, absurdos, veio ontem a informação à coluna de que procuradores e promotores não se envolveriam em questões políticas-partidárias.
Sim, amigo leitor, o questionamento sobre o custo altíssimo da reforma do prédio da ALE ao bolso do contribuinte e o atraso de mais de um ano para entregar a obra, para os procuradores e promotores roraimenses não passam de "questões políticas-partidárias". Com essa posição definida do MPE cabe outro questionamento: quem, na verdade, está promovendo uma campanha sórdida.
P.S: Se a folha de pessoal da ALE, aquela suplementar, for exposta, muita coisa poderá ser esclarecida.
Posteridade

Pisa, na Toscana, em registro de Manoela Lima.