- 03 de fevereiro de 2026
Isso é fato
Edersen Lima
De Roma
A abordagem feita pela coluna de que o eleitor que vende o seu voto é mais criminoso que o político que o compra rendeu comentários a favor e contra o que foi publicado. A maioria dos leitores que enviou e-mail concorda comigo. Uma minoria esperneou espantada com "a sinceridade da minha opinião".
Essa tal minoria não se pode levar em consideração pois esteve e ainda está envolvida no processo eleitoral querendo que Roraima seja governado por quem marcou sua história política como campeão de processos judiciais acusado de desvio de dinheiro público e formação de quadrilha.
Não é a coluna que diz que o eleitor que vende voto é criminoso. É a própria justiça eleitoral que determina isso. Não preciso puxar muito a memória de que durante a campanha os comitês ficam lotados de eleitores que vão atrás de quem lhes dêem emprego ou empregue alguém da família; que lhes paguem alguma conta; de quem lhes dêem passagens de ônibus ou avião; de quem lhes comprem areia, seixo ou tijolos para obras em suas casa; de quem lhes paguem remédios; lhes dêem gasolina e muitas outras coisas em troca do seu voto e da sua família. Isso é fato.
Campanha eleitoral em Roraima não é relação de compra e venda de voto e sim, de venda e compra. Se não, por que na madrugada do dia da eleição famílias inteiras ficam nas calçadas de suas casas nos bairros periféricos?
Certa vez, Moisés Lip Nik, deputado federal morto durante o mandato em 2003, recebeu o pedido de uma eleitora para empregar um genro seu. "Eu já dei o que você queria em troca do seu voto. Mas do que isso eu não faço", respondeu rispidamente Lip Nik lembrando a eleitora que já havia pago pelo voto dela, portanto, não lhe devendo mais nada.
Agora, o bombadeio da vez - para variar - é em cima dos deputados e senadores que terão reajuste de salário. O reajuste é alto, sem dúvida. De R$ 16 mil, o salário dos parlamentares pulou para R$26 mil. Mas diante de tantos pedidos, os mesmo corriqueiros de sempre durante todos os dias de mandato, feitos por eleitores: emprego, pagamento de contas de luz, água, telefone; passagens para sí e familiares e etc... R$ 26 mil é pouco.
Na certa vai aparecer quem proteste novamente contra a minha opinião publicada nesta coluna, deturpando o que penso com relação ao reajuste dos deputados e senadores, esquecendo de propósito - ou não - a constatação de que o vício do eleitor em querer que o político banque suas necessidades, diminui o salário de qualquer parlamentar, de qualquer um. Isso é fato.