00:00:00

OPINIÃO FORMADA

Alguém patrocina isso


Alguém patrocina isso

Edersen Lima
De Florença

No filme "Tropa de Elite" a classe média é apontada como a principal patrocinadora do crime organizado via tráfico de drogas. É uma realidade. Existe, sim, a compra de drogas por parte dos mocinhos alimentando e fortalecendo os bandidos. Há dois dias, a Folha de S. Paulo publicou matéria sobre a suposta venda de votos e não compra de votos por parte de aliados do governador José de Anchieta. Cabe lembrar que o eleitor que vende o seu voto é também criminoso.

Ora se há quem compre voto é porque há quem o venda. Pelo código eleitoral o crime é de ambas as partes. As gravações mostram claramente que eleitores estão, no mínimo, dispostos a ganhar algo em troca para votar em Anchieta. No entanto, não há nada que demonstre ou prove que o negócio de compra e venda de voto foi realizado. Há a infomação da negociação o que de certo causa pre-julgamentos. E muita gente inocente já foi condenada injustamente por pré-julgamentos.

O que se ouve nas gravações realizadas de conversas entre a primeira dama Shéridan de Anchieta, de Jansen de Anchieta - irmão do governador - e do procurador do estado, Francsco das Chagas é o oferecimento de venda de voto por parte do eleitor. Essa outra face da moeda que não pode ser deixada de lado. O eleitor que vende seu voto é muito mais desonesto e criminoso do que o político que o compra.

E não venha ninguém com conversa mole, romântica de que a necessidade, a falta de perspectivas ou a fome do pobre eleitor sejam desculpa para esse tipo de prostituição. Muita gente boa veio do nada e conquistou o mundo, seu espaço e fez história sem se prostituir, sem vender suas dignidades e caráter. Isso deveria servir de exemplo e inspiração.

O que existe em Roraima e na maioria dos estados  do Nordeste é o sem vergonhismo de se obter algum tipo de vantagem em período em eleitoral. "Se não for assim (comprando o voto), não voto no senhor", é o que mais político houve por ai. E fazer o quê se a regra do jogo - ou do eleitor - é essa?

Não existe quem se eleja sem que pelo menos tenha feito algum agrado tipo emprego arrumado, remédio dado, passagem dada, butija de gás dada, contas de luz, água ou celular pagas. Ou seja, sem que alguma forma tenha se comprado ou vendido o voto. É a realidade tal qual a de que a classe média é que banca o crime organizado. Nesse caso específico, o próprio eleitor é que alimenta o maior dos crimes eleitorais.

No filme "Tropa de Elite 2" o mocinho, coronel Nascimento bate sem dó em um político corrupto e safado. Mas o tal corrupto e safado só corrompe e faz safedezas porque alguém o colocou lá. Alguém o elegeu para isso. Alguém patrocina isso.

Últimas Postagens