- 03 de fevereiro de 2026
Nem o professor de Deus dá conta
Edersen Lima, Editor
Brasília - Hospitais sem leitos para atender doentes, cirurgias adiadas, falta de medicamentos nos postos médicos e o principal jornal estampando semana passada "Saúde pública está na UTI".
O amigo leitor desta página deve estar convicto de que as informações acima tratam da saúde pública em Roraima. Ledo e ivo engano. As notícias acima se referem à realidade em que, há dois meses, passa o setor da saúde pública aqui no Distrito Federal, unidade da Federação onde se concentra há décadas a maior renda per capita do país, unidade federativa que além de comércio e indústria fortes, ainda conta com o Fundo Constitucional para suprir maiores necessidades de gastos públicos administrativos de Brasília e das cidades do Entorno.
A situação precária de total preocupação com a saúde pública no DF não é o único problema que o governo local enfrenta. O caixa baixo quase zerado fez com que este ano a capital brasileira não realize eventos natalinos e o símbolo dessa época, a árvore de Natal, nem fosse levantada.
Sim, Brasília não terá este ano árvore de Natal iluminando e enfeitando a Esplanada dos Ministérios como há 49 anos vinha emocionando seus moradores e turistas. A árvore que foi usada no ano passado, cheia de novas tecnologias, foi orçada e o GDF não teve como bancar. A antiga, enferrujada, corria risco de desabar. Resumo da ópera: nada de árvore de Natal.
Se Brasília, capital do país, que concentra maior renda per capita entre as unidades federativas sofre com a saúde pública e faltam recursos para se bancar um Natal comum, é de se imaginar como outras cidades do Nordeste e do Norte, que são as regiões mais pobres, devem estar passando ou se reajustando.
É claro que essa constatação não é nenhuma justificativa para más administrações. Prioridade com a saúde é lei, tanto que todo governo é obrigado a aplicar percentual do Orçamento em investimentos no setor. O problema é o mau investimento. O uso político da pasta para eleger secretários ou candidatos que tem a secretaria em sua cota. Ou seja, trocar a função prioritária de cuidar, de tratar e sanar problemas da população por votos.
Por outro lado, há de se observar que, as reduções de recursos do Fundo de Participação dos Estados ou dos Municípios, pegaram muitas administrações com as calças curtas. Em Roraima, não só o setor de responsabilidade do estado, mas a saúde municipal anda em situação precária, e olha que na Prefeitura de Boa Vista quem dá as cartas por lá é um expert em tudo quanto é assunto, o nosso "professor de Deus". Aí, nem ele tem dado conta.
Enquanto isso, dando aula...
