- 03 de fevereiro de 2026
Edersen Lima
De Boa Vista
Neudo perdeu para a mentira
A disputa pelo governo de Roraima encontrou um mote, a mentira. O candidato do PP, Neudo Campos, vem utilizando a palavra em seus programas de rádio e de TV, em reuniões e comícios pelos quatro cantos do estado.
Por outro lado, Neudo também é chamado de "mentiroso" por seu adversário, o governador José de Anchieta, quando mostra em seu programa de TV, problemas na saúde pública, nas estradas e no funcionalismo no governo do pepista.
Mas, se não mente, Neudo deixa a mentira contra seu adversário prevalecer em seu grupo. O caso do vídeo apócrifo, produzido por pessoas que apóiam sua candidatura, é prova de que para o candidato do PP a mentira pode render votos. Com a mentira pode-se eleger, desde que ela atinja o oponente.
Beirando os 70 anos de idade, esperava-se, que Neudo reunisse todo o seu grupo e publicamente, inclusive no rádio e na TV, desse uma descompostura na turma de "aloprados" que produziu matéria falsa e caluniosa contra Anchieta. Não resta dúvida de que o material foi produzido por gente ligada a Neudo, embora não haja nada que aponte sua participação nisso e sequer, o seu conhecimento prévio.
Esperava-se de Neudo, demonstração pública de reprovação à mentira, independente do seu objetivo em lhe ajudar eleitoralmente. Esperava-se de Neudo, reprovação clara de que não compactua com o vale tudo que se imperou naquela ocasião na disputa pelo governo.
Esperava-se de Neudo o desapego que os grandes homens, pais de família, têm ao desejo do poder a qualquer custo.
Renderia muito mais votos a Neudo, se aproveitasse aquele momento e reprovasse com todas as letras o que os aloprados que lhe apóiam fizeram. Fosse claro em afirmar que não precisa de nenhum jogo baixo para vencer nas urnas e desse sua opinião verdadeira sobre o assunto abordado no vídeo.
Luciano Queiroz, que é protagonista no vídeo apócrifo, e condenado a mais de 200 anos por crime de pedofilia, foi procurador do estado alguns meses no governo de Anchieta, mas foi, também, procurador do estado durante todo os sete anos e quatro meses da gestão de Neudo. Seria digno de sua parte dizer que assim como ele não soube durante sete anos da vida particular de Luciano Queiroz, Anchieta também não poderia saber em alguns meses.
Neudo perdeu ótima oportunidade de mostrar que está acima das mentiras e do oportunismo. Mostrar dignidade e horandez que se espera de um líder, de um governante. Mas não foi isso que fez. Ao invés de se calar e deixar que a calúnia corresse solta contra seu adversário, poderia demonstrar que é igual a você, eleitor, uma pessoa que reprova toda e qualquer forma criminosa de se ganhar algo na vida. Neudo perdeu para a mentira.