- 03 de fevereiro de 2026
Por anos e anos o ministro Romero Jucá assistiu de camarote a imprensa nacional publicar denúncias de corrupção de seus adversários. Mas a série de acusações e histórias mal contadas que há um mês sem trégua vêm sendo machetes em jornais e telejornais, além de artigos e editoriais que pedem a sua renúncia, jamais foi imaginada tanto por ele, quanto pela mulher, Teresa Jucá. Como em Roraima, Romero é o maioral - maior político, mais influente, mais honesto, de maior votação e o escambal - se é para aparecer ensopado de denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público e caloteiro, que apareça então em grande estilo, "international style". Romero Jucá é citado em uma matéria no mais influente jornal da Europa, o inglês Financial Times. Citado como suspeito de como a corrupção corre solta no Brasil. E o pior: sem punir os gatunos, tenham eles a cara de pau deslavada ou não. O Financial Times diz que "as acusações de obtenção fraudulenta de empréstimos subsidiados e de apropriação de verbas públicas por parte do ministro da previdência, Romero Jucá (PMDB-RO), são mais um sinal da "corrupção endêmica que assola o Brasil", diz nesta segunda-feira reportagem do diário britânico "Financial Times". "A corrupção é um fato do cotidiano e as chances de se ser punido por isso são próximas a zero", diz o jornal. Sobre as acusações de que é alvo, o ministro disse que isso não o perturba. "Estou dormindo tranqüilo", disse Romero, segundo o "FT". O ministro é acusado de oferecer fazendas que não existem como garantia a um empréstimo contraído por ele ao Basa (Banco da Amazônia), além de denúncias de abuso de poder econômico na eleição de 1994 e desvio de recursos públicos (relatório da Receita Federal aponta desvios de verbas à TV Caburaí, pertencente à Fundação Roraima). A despreocupação do ministro, destacada pelo jornal britânico, "pode muito bem ser reflexo da sua inocência", mas, "inocentes ou culpados, tais alegações contra os ricos e poderosos no Brasil raramente os deixam preocupados". O máximo que os gafanhotos e suas prisões duraram na imprensa foi quatro dias. Desde que tomou posse, o ministro só repetiu o exercício labial de que "durmo tranqüilo", mesmo quando uma novidade de corrupção e gatunagem nada simpáticas vêm à tona. Diante disso, não há dúvida: Romero é mesmo o maioral.