- 05 de janeiro de 2026
Boa Vista - A nossa rica, triste e espoliada América Latina precisa reagir com altivez e buscar a melhor maneira de abandonar, imediatamente, o triste papel de submissão assumido diante do neocolonialismo desvairado que vem sendo imposto pelos países que dispõem de exércitos vigorosos (EUA à frente), nas últimas décadas. Precisa deixar de ser uma América Latrina. Essa subordinação, no setor brasileiro, começou a se tornar explícita a partir da gestão Collor de Mello (1990-92), quando se colocou em prática, pelas nações do chamado primeiro mundo, um plano através do qual iriam se apoderar definitivamente das riquezas naturais de países classificados como emergentes (que não emergem jamais). Depois de Collor, cassado por corrupção, veio Itamar Franco, seu vice-presidente, que impediu durante o restante do mandato (1992-95) a doação de nossas estatais como pretendiam o FMI e o Banco Mundial (auxiliados por uma elite nacional apodrecida sem qualquer compromisso com a população). Mas Itamar, por ingenuidade, ainda conseguiu ser caloteado em algumas questões. Uma delas foi a venda da CSN - Companhia Siderúrgica Nacional - (criada por Getúlio Vargas), autêntico pecado venial se for considerado o maior erro a que se viu induzido: colocar FHC no Ministério das Relações Exteriores (1992-93), de onde pulou para o Ministério da Fazenda (1993-94) e, a partir dali, ganhar a Presidência da República com a implantação do Plano Real, elaborado nos laboratórios econômicos de Washington. FHC comprou a emenda constitucional da reeleição, pagando cerca de 200 mil dólares a boa parte de cada um dos parlamentares federais da época, escândalo que abafou de forma conveniente, ao impedir constituição de CPI que o apurasse. A administração FHC foi uma sucessão de crimes escabrosos. Até então, a gestão do maranhense José Sarney (1985-90) era considerada a mais corrupta já acontecida em todo o nosso período republicano. Mas FHC bateria todos os recordes possíveis e imagináveis, trazendo a lume, inclusive, fatos vexatórios de sua vida pessoal. Além de envolver diretamente os seus familiares na bandalheira praticada (espécie de general Augusto Pinochet do voto direto), FHC nada assumiu que lhe dissesse respeito. Teve um filho com a jornalista Miriam Dutra (Rede Globo) e tratou, ao ser nomeado para as Relações Exteriores, de enviá-los para a Espanha com a conivência da emissora. Agora, descobriu-se que teve também um filho com a cozinheira do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), assunto devidamente abafado. O último filho citado serviu para decodificar frase considerada até então enigmática, proferida certa feita por sua ex-excelência: "- Eu também tenho um pé na cozinha". Por tal resultado, depreende-se que, na cozinha, ele tinha na realidade colocado o corpo todo. No período FHC (1995-2003), a Argentina era conduzida ao matadouro por um salafrário chamado Carlos Menem (1989-99). Entre outros absurdos publicamente listados, ele privatizou empresa estatal que correspondia a Petrobras brasileira, a YPF, doada por uma ninharia a Repsol espanhola. O "negócio" só ficou bem esclarecido depois que se encontraram alguns milhões de dólares depositados em contas suíças do ex-presidente. Com relação a FHC, a grande maioria já sabe o que fez: desnacionalizou a economia em cerca de 78%. Só não entregou a Petrobras, porque medrou. Achou que seria demais, embora contasse e conte com o silêncio da maioria dos meios de comunicação do país, amordaçados nos fartos recursos do Orçamento da União e na cumplicidade do capital financeiro internacional. Depois do tsunami FHC, a população acreditou ter finalmente encontrado o seu Messias (o Brasil vive atrás de um salvador), na pessoa do candidato do PT. Mas, assim que assumiu, sua excelência mostrou que seria apenas mais um a dar continuidade à política econômica devastadora. Tornando-se espécie de Dom Quixote às avessas, a primeira providência que tomou foi a compra de um Boeing por 56 milhões e 700 mil dólares, no qual determinou fosse instalado banheiro especial com ducha. Mas o problema não foi a compra do Boeing, pois todo mundo ficaria satisfeito se ele tivesse desperdiçado a montanha de dinheiro que gastou para adquirir tal brinquedo, contanto que tivesse, também, cumprido pelo menos um terço das promessas desfiladas durante a campanha eleitoral. (continua) Email: [email protected]