- 05 de janeiro de 2026
KENNEDY ALENCAR da Folha de S.Paulo, em Brasília O ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) será o novo titular da pasta da Saúde, da qual sairá o petista Humberto Costa. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi convidado ontem à noite pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aceitou substituir o correligionário e também senador Amir Lando (RO) na Previdência. Outra definição: o ministro José Dirceu (Casa Civil) voltou a ser oficialmente liberado por Lula a fazer articulações políticas, principalmente com foco na reeleição do presidente e nas alianças do PT nos Estados em 2006. Essas três decisões foram acertadas anteontem em reunião na Granja do Torto com a cúpula do PT --os principais ministros petistas e o presidente do partido, José Genoino. São os primeiros avanços concretos da reforma ministerial, que deverá ser anunciada na quinta-feira. Ao mover Ciro para a Saúde, Lula desata um nó da reforma ministerial, abrindo espaço para a composição política com o PMDB e o PP. Para a Integração Nacional são cotados a senadora Roseana Sarney (MA), que deixaria o PFL e entraria no PMDB no futuro, e o ministro Eunício Oliveira (Comunicações), que pode ser deslocado numa articulação para o PP ficar com sua pasta. Curiosidade: antes de o tucano Fernando Henrique Cardoso assumir a Presidência pela primeira vez, em 1994, Ciro foi convidado para a Saúde e recusou por querer pasta na área econômica. Outra: no governo Lula, Ciro (PPS) é o primeiro não-petista a assumir uma pasta central na área social. Em reunião à noite no Planalto, Dirceu voltou a insistir no nome do ex-líder do PP na Câmara Pedro Henry (MT). Ele se encontrou com o atual líder do PP, José Janene (PR), e se reuniria hoje de manhã com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE). A intenção do governo é vencer as resistências de Janene e Severino a Henry. Os pepistas preferem Ciro Nogueira (PI), deputado federal do partido ligadíssimo ao presidente da Câmara. Nos bastidores do evento ontem em São Paulo contra a Medida Provisória 232, Severino discutiu a reforma com dirigentes do PP. O nome preferido por Severino é o deputado federal Ciro Nogueira (PP-PI). Depois, em entrevista coletiva, afirmou não ter preferências e que o PP vai continuar votando com o governo, com ou sem ministério. As mudanças objetivam ampliar o espaço de aliados e amarrar acordos para a reeleição. Comando da reeleição Ao chegar ontem ao Palácio do Planalto, Dirceu, num gesto inusual, abriu o vidro do carro e sorriu para os repórteres. Indagado se estava feliz, respondeu: "Estou porque eu vou ficar quieto e sossegado no meu lugar". Na reunião da Granja do Torto, ficou acertado que Dirceu e outros três ministros que formaram o comando da campanha vitoriosa de Lula em 2002 não disputarão cargos em 2006, apostando na reeleição. São eles: Antonio Palocci Filho (Fazenda), que cuidou do programa de governo, Luiz Gushiken (Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), responsável pelo marketing, e Luiz Dulci (Secretaria Geral), que tratou da relação com movimentos sociais. Dirceu foi o coordenador-geral da campanha de 2002. Há possibilidade de se licenciar da Casa Civil no auge eleitoral de 2006 para cuidar da reeleição de Lula, das alianças do PT nos Estados e da estratégia para tentar aumentar as bancadas petistas na Câmara e no Senado. Se Lula se reeleger, Dirceu retornaria à Casa Civil. O destino do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, deve ser decidido hoje. O mais cotado para substitui-lo e trabalhar com Dirceu é o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP). João Paulo, porém, resiste a ir para o ministério com a condição de abrir mão da disputa pela candidatura do PT ao governo paulista em 2006. Assim, poderia ser líder do governo na Câmara para ficar em pé de igualdade com o preferido de Lula ao Palácio dos Bandeirantes, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Pastas aventadas ontem para Aldo foram o Trabalho, de Ricardo Berzoini, e Defesa, do vice José Alencar. Lula, porém, se diz satisfeito com os dois.