- 05 de janeiro de 2026
Brasília - O PT tem sido tão diferente no governo, que os mais conservadores petistas não encontram razões para avaliar o quanto será prejudicial ao partido a sua maneira de governar com pessoas que, até bem pouco tempo, eram tidas como demônios. É o caso de o partido do presidente Lula estar aceitando no governo nomes que não mereceria, no passado, passar na porta do PT, muito menos fazer parte do ministério petista. O caso mais grave está na escolha de nomes estranhos ao ninho petista para compor o novo ministério. Um desses nomes é o do senador Romero Jucá. Sobre ele pesam acusações de irregularidades por onde andou, quer como membro do governo, quer como governador de território, quer como senador. Os jornais de domingo foram fartos em divulgar tais irregularidades supostamente cometidas pelo senador de Roraima, e que são objetos de investigações pelo Ministério Público Federal. Mas ao PT não está interessado na ficha pregressa do candidato. Interessa é o que esse candidato a ministro representou na defesa dos seus interesses e não o que ele fez de certo ou errado ao longo de sua trajetória política. É um fato triste para um partido que se acostumou a primar pela ética e pela honestidade dos homens públicos com a coisa pública. Que PT é este, meu Deus! Quem melhor analisou o perfil político do senador por Roraima foi o ex-presidente FHC. Jucá, na visão de FHC, se acostuma rapidamente às circunstâncias do poder; ele faz o que o poder quer e almeja, não importa a sua posição política ou ideológica. Aliás, o senador Romero Jucá vem há mais de vinte anos fazendo parte de governo, sob toda e qualquer ótica ideológica. Desde a retomada do sistema democrático brasileiro, em 85, que Jucá se apega ao poder. Mas em todos os cargos por que passou ou dirigiu, sobre ele pesaram acusações de cometimento de irregularidades. Foi assim, na Funai, onde foi acusado de beneficiar madeireiros em terras indígenas; foi no governo do antigo território de Roraima; foi assim na Conab. Eleito senador em 94, ao assumir o mandato em 95 fez-se sócio de uma empresa privada que obteve empréstimo bancário de um banco oficial. Coisa que o regimento interno do Senado Federal proíbe. Em todas as acusações que pesam sobre si, o senador por Roraima se livrou até agora dos processos na Justiça. Além de um fisiológico contumaz, também o senhor Jucá é audaz na fuga das acusações. Parabéns para ele. Ele sabe o caminho das pedras para manter-se no poder; e é isso que ele mostra como bandeira para chegar à Esplanada dos Ministérios em Brasília. Só se espera que, Ministro da Previdência, ele tenha a mesma desenvoltura no exercício do cargo que teve até aqui para livrar-se das acusações de irregularidades. Tudo, pelo menos, em benefício dos aposentados de Roraima. Pelo menos isso, senador!