00:00:00

SENSO CRÍTICO - Interessante surto de amnésia

O negócio prometia gerar empregos e renda com a criação e abate de frangos regionais para atender os mercados de Boa Vista e Manaus. Ocorre que, pelo o que constataram auditores do Basa, o dinheiro não foi investido na empresa, que frangos congelados da Sadia é que estavam camuflando a aplicação do dinheiro sendo vendidos pelo Frangonorte.


Edersen Lima, Editor Brasília - Você, amigo leitor, seria capaz de esquecer que fez um empréstimo bancário de quase R$ 5 milhões, "só para ajudar" uma empresa falida? Provavelmente a maioria dos poucos leitores desta coluna responderá que não. Mas não é bem isso que acontece com o senador Romero Jucá. Há 10 anos - quando R$ 5 milhões valiam bem mais -, ele junto com o parceiro Getúlio Cruz pegaram a empresa Frangonorte, e numa operação das mais eficientes em termos de créditos bancários, conseguiram 48 horas depois de assumirem, empréstimo que cobria a dívida e ainda lhes sobravam R$ 750 mil. "Entrei como sócio na empresa(Frangonorte) só para ajudar. A idéia foi do Getúlio (Cruz). Não entrei com nada e saí sem receber nada", afirma, inocentemente, Romero Jucá. Amnésias a parte. O negócio prometia gerar empregos e renda com a criação e abate de frangos regionais para atender os mercados de Boa Vista e Manaus. Ocorre que, pelo o que constataram auditores do Basa - o banco que em apenas 48 horas liberou o empréstimo para Romero e Getúlio - o dinheiro não foi investido na empresa. Os mesmos auditores detectaram que frangos congelados da Sadia é que estavam camuflando a aplicação do dinheiro oriundo do FNO, sendo vendidos pelo Frangonorte. Engraçado, por bem menos que isso, já teve muito produtor roraimense que perdeu casa, carro e outros bens. Romero e Getúlio não perderam nada. A dupla foi a autora do pedido de empréstimo. Mas Romero nega que deva alguma coisa ao banco. Diz que entrou sem nada e saiu sem anda da empresa. Ele não lembra dos R$ 750 mil restantes do empréstimo e que no documento em que transfere o Frangonorte para outros, consta o recebimento de mais R$ 50 mil na negociação. O Basa, de cara, não aceitou que a dívida fosse transferida. E o que era um empréstimo de quase R$ 5 milhões, ficou sendo cobrado ao vento, pois ninguém, nunca pagou um centavo desse "papagaio". Repito: ninguém nunca pagou um centavo do papagaio. Se fosse um produtor rural menos abençoado que perdeu a safra por causa de estiagem ou praga o desfecho, com certeza, seria outro. A novidade, agora, é que Romero culpa Getúlio pelo mau gerenciamento do Frangonorte. "Ele (Getúlio) é que era o sócio gerente", se esquiva. "Entrei(no negócio) com a intenção de ajudar, de gerar empregos no meu estado", alega o senador. Mas não sabe dizer o que fez com parte dos R$ 750 mil que pegou do Basa. Na contabilidade do banco, aparece a retirada do dinheiro e parte dele transferido em ato contínuo para a conta da empresa Fazenda Pau Rainha, que nada tinha a ver com o Frangonorte. O restante, deu um "branco" no senador. O interessante disso tudo é ver como um homem inteligente e experiente como Romero Jucá entrou numa barca furada que ele próprio admite que "a empresa(Frangonorte) estava numa situação crítica, sem pagar funcionários, numa situação de insolvência", e ainda assim assinou em cartório público termo assumindo a dívida total do empreendimento. Mais interessante é o surto de amnésia que abate o senador de não lembrar bem disso.

Últimas Postagens