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Correio Braziliense - Um especialista em se manter no poder

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) possui raro talento para se manter no poder. No governo de José Sarney, presidiu a Fundação Projeto Rondon e a Fundação Nacional do Índio (Funai), antes de ser nomeado governador de Roraima - na época um território federal. No período em que Fernando Collor ocupou o Palácio do Planalto, teve um cargo na diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Foi foi vice-líder do PSDB e do governo na era Fernando Henrique Cardoso e, agora, prepara-se para assumir o cargo de ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quota do PMDB.


Eumano Silva e Guilherme Evelin Da equipe do Correio O senador Romero Jucá (PMDB-RR) possui raro talento para se manter no poder. No governo de José Sarney, presidiu a Fundação Projeto Rondon e a Fundação Nacional do Índio (Funai), antes de ser nomeado governador de Roraima - na época um território federal. No período em que Fernando Collor ocupou o Palácio do Planalto, teve um cargo na diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Foi foi vice-líder do PSDB e do governo na era Fernando Henrique Cardoso e, agora, prepara-se para assumir o cargo de ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quota do PMDB. A presença de Jucá na Esplanada faz parte dos acertos de Lula com o partido. O senador foi o nome indicado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), para integrar o governo. A eleição para a sucessão de Sarney consolidou Renan no comando do grupo mais poderoso do Senado. O novo cacique do PMDB tem como colaboradores os peemedebistas Ney Suassuna e Luiz Otávio (PA) e o apoio dos petistas Aloizio Mercadante (SP) e Delcídio Amaral (MS). Juntos, dão hoje o rumo político da Casa. Jucá entrou no PMDB em maio de 2003 para aderir ao governo federal. "Gosto de desafios, sou especialista em pepinos", afirma o senador, para justificar a mudança. Na filiação, teve como padrinhos o antigo chefe, Sarney, e o novo comandante, Renan. Antes de entrar no barco do governo, Jucá agia como um autêntico oposicionista e não poupava críticas à administração petista. Economista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, condenava a política de juros altos mantida até hoje. "O cardápio de superávit e taxa de juros está equivocado e não serve nem para o Brasil nem para país nenhum", atacou o então senador tucano em fevereiro de 2002. Um ano depois, ironizou o excesso de reuniões do atual governo e o Fome Zero. "O programa funciona apenas para os petistas, que se reúnem em almoços e jantares", cutucou. Os antigos aliados aceitam o comportamento adesista do senador de Roraima. "Em Brasília, há alguns políticos que estão sempre dispostos a apoiar o governo", afirma o ex-presidente Fernando Henrique sobre o antigo colaborador. "O Jucá, além disso, é eficiente e pode ser um bom ministro", acrescenta FHC. "Para ele, as questões de ordem política não têm relevância", diz o líder da minoria no Senado, Sérgio Guerra (PSDB-PE). "Ele sabe fazer, em um governo cheio de gente que não sabe nada", analisa. "Trata-se de um excelente executor de tarefas", opina o líder tucano Arthur Virgílio Neto (AM). "Se o governo tem de aprovar projetos, chama o Jucá e estabelece a margem de negociação que ele resolve", exemplifica. A serviço do governo Lula, Jucá passou a usar a conhecida habilidade para aprovar alguns dos projetos mais espinhosos em tramitação no Congresso. Relatou, por exemplo, as propostas de mudança na Cofins e no ICMS. No final do ano passado, gastou cinco dias para fazer o relatório final do Orçamento da União. Por falta de tempo, os congressistas aprovaram o pacote sem saber o que estava escrito. "Não tive alternativa", afirma. "Para que isso não aconteça mais, defendo que o Orçamento seja todo discutido nas comissões temáticas e, só depois, levado a outra comissão, de sistematização". Para garantir a votação de seu parecer, lançou mão de um argumento para lá de eficiente no parlamento brasileiro. "Deputados e senadores foram bem atendidos em suas emendas", assegurou, da tribuna. Aos 50 anos, o provável futuro ministro é casado com a prefeita de Boa Vista, Tereza Jucá, com quem não teve filhos. Mas o casal tem cinco descendentes nascidos de outras relações dos dois. Conheceram-se na Funai, onde trabalhavam. Para se verem, Jucá e a prefeita se revezam nos fins de semana em viagens entre Roraima e o Distrito Federal. -------------------------------------------------------------------------------- Acusações marcam vida pública Vinte anos de vida pública renderam a Jucá uma lista de processos na Justiça. Na passagem pela Funai, com base em acusações de ex-funcionários do órgão, foi denunciado pelo Ministério Público por permitir a atuação ilegal de madeireiras em reservas indígenas. O pernambucano Geraldo Brindeiro, procurador-geral da República nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, arquivou o caso. Durante o governo Collor, Jucá foi acusado de desviar recursos federais enviados à Fundação Roraima, entidade de assistência que recebeu subvenções do Ministério do Bem-Estar Social colocadas no Orçamento da União por iniciativa de Tereza Jucá, mulher de Romero, à época deputada federal. A fundação tinha uma concessão de canal de televisão retransmissora da TV Bandeirantes e funcionava em um imóvel de propriedade dos Jucá em Boa Vista. Brindeiro também arquivou esse processo. Jucá consta como indiciado em um inquérito conduzido pela Polícia Federal em segredo de Justiça. No momento, o processo se encontra com o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Pesa contra o senador acusação de suposta participação em desvio de verbas destinadas a obras em Cantá (RR). Em uma gravação feita pela PF, o prefeito Paulo Peixoto fala em pagamento de comissão para um senador. As investigações foram prorrogadas e Jucá enviou ofício à PF questionando a dilatação do prazo. O Banco da Amazônia está executando Jucá por dívidas de R$ 31 milhões decorrentes de empréstimo do Fundo Constitucional do Norte para investimentos na Frangonorte, empresa que teve como sócios o senador e ex-governador de Roraima Getúlio Cruz. O Basa acusa os dois de desviar parte do dinheiro e não realizar investimentos. A Frangonorte foi vendida em 1997, mas o banco considerou Jucá e Cruz os únicos responsáveis pela dívida. (ES e GE)

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