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FARRAS E BRINCADEIRAS - Márcio Accioly


O acordo estipulava que Greenhalgh manteria, caso escolhido, a maioria dos funcionários lotados no gabinete do presidente. Eles eram filiados e militantes petistas que mal conhecem os corredores da Câmara e ruas da Capital Federal. Pessoas que vivem lá pelas bandas de Osasco, base eleitoral do antecessor de Severino. Pois bem: esse ajuste levava em conta a não admissão de qualquer hipótese de derrota do PT, já que não se tinha registro de candidato oficial alijado em situação semelhante, com a máquina administrativa federal trabalhando em seu favor, a todo vapor.


Boa Vista - Alguns dias antes da eleição para a Presidência da Câmara, quando o deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE) se sagrou vencedor, o então presidente, João Paulo Cunha (PT-SP), firmou acordo político com o candidato Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), cujo cumprimento seria condição sine qua non para seu completo engajamento na disputa. Até então, João Paulo vinha fazendo corpo mole: andando de salto alto e se achando o rei da cocada preta. O acordo estipulava que Greenhalgh manteria, caso escolhido, a maioria dos funcionários lotados no gabinete do presidente. Eles eram filiados e militantes petistas que mal conhecem os corredores da Câmara e ruas da Capital Federal. Pessoas que vivem lá pelas bandas de Osasco, base eleitoral do antecessor de Severino. Pois bem: esse ajuste levava em conta a não admissão de qualquer hipótese de derrota do PT, já que não se tinha registro de candidato oficial alijado em situação semelhante, com a máquina administrativa federal trabalhando em seu favor, a todo vapor. Na Presidência da Câmara, descobriu-se mais tarde a existência de cerca de dois mil e 700 Cargos de Natureza Especial - CNEs -, abrigando pessoas que caíram fora de administrações petistas, varridas pelo voto livre e direto nas últimas eleições municipais. Cidades como Porto Alegre, São Paulo, Santos e outras, além dos principais redutos do ABC paulista. Na sua coluna do último sábado (12), publicada na Tribuna da Imprensa, Sebastião Nery mostrou um estudo efetuado pelo professor Walden Carvalho, provando, por A mais B, que o PT, além de fascista e autoritário é perdulário com o dinheiro público e, na prática, age de forma inteiramente inversa ao discurso apregoado em mais de duas décadas. O levantamento corresponde a gastos efetuados na gestão tucana (1995-2003) e nos primeiros dois anos da administração do PT. Nos oito anos do desastroso governo FHC, os gastos palacianos totalizaram 114 milhões e 400 mil reais. Já na era Dom Luiz Inácio, somente no primeiro ano (2003) foram empregados 318 milhões e 600 mil reais com despesas gerais (bebidas, comida, etc.), enquanto que no ano de 2004, esse total pulou para 372 milhões e 800 mil reais. Dom Luiz Inácio está consumindo um milhão e 500 mil reais por dia útil ou inútil de trabalho! O professor Walden mostrou ainda que, durante o período Itamar Franco (1992-95), o número de funcionários dentro do Palácio do Planalto era de mil e 800 pessoas. Na gestão FHC, tal número foi reduzido para mil e 100 pessoas. Mas, na atual, esse número pulou para três mil e 300 pessoas. Não se sabe dizer se os gastos da era FHC foram reduzidos oficialmente por conta dos desvios monumentais praticados por debaixo do pano, através de comissões pagas em negociatas na entrega das principais estatais brasileiras. O que se tem certeza é que Dom Luiz Inácio, como afirma Nery, tornou-se "o campeão absoluto da olimpíada dos gastos palacianos". Por isso, a grande imprensa está caindo de pau na eleição de Severino Cavalcanti. João Paulo, mais o delator José Genoíno, presidente nacional da legenda, e demais petistas juravam de pés juntos não vislumbrar a mínima possibilidade de tal acontecimento. Muita gente perdeu a boquinha dentro da Câmara e já não se tem mais como ampliar o número de funcionários da Presidência da República, pois, só no ano passado, através do Decreto 5.087, Dom Luiz Inácio aumentou "o número de seus assessores especiais diretos: de 27 passou para 55". Comparando-se os custos das monarquias norueguesa, espanhola, dinamarquesa, belga, holandesa, japonesa e inglesa, chegou-se à conclusão de que mesmo que se somassem os gastos anuais com a manutenção de suas casas reais, as despesas brasileiras iriam além. O trabalho encerra com um apanhado do valor aplicado na conservação anual do governo norte-americano, uma República: ele atinge o montante de um bilhão e 100 milhões de dólares. Já na nossa República, são aplicados um bilhão e 700 milhões de dólares (600 milhões de dólares a mais), também anualmente. Enquanto isso, os hospitais estão em crise (permanente), as estradas continuam intransitáveis e o nível de analfabetismo atinge índices negativos nunca vistos. A sociedade vai ter de se mobilizar e tentar dar um basta nisso, se é que se deseja a salvação. No Brasil, o poder virou uma farra inebriante: uma minoria desfruta seus privilégios, o bônus, enquanto à maioria resta apenas os deveres, o ônus. Email: [email protected]

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