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ENXURRADA DE DESENCONTROS - Márcio Accioly

As viúvas do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), ainda não absorveram a espetacular derrota petista para a Presidência da Câmara. Vivem procurando desculpas e falhas no comportamento de Severino Cavalcanti (PP-PE), como se não tivessem de ajustá-lo goela a dentro, deixando-o ali permanecer, mansamente, nos próximos dois anos (tempo de duração do mandato). Talvez devessem (as viúvas) olhar para o próprio umbigo.


As viúvas do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), ainda não absorveram a espetacular derrota petista para a Presidência da Câmara. Vivem procurando desculpas e falhas no comportamento de Severino Cavalcanti (PP-PE), como se não tivessem de ajustá-lo goela a dentro, deixando-o ali permanecer, mansamente, nos próximos dois anos (tempo de duração do mandato). Talvez devessem (as viúvas) olhar para o próprio umbigo. Dias antes daquela eleição, consulta interna no PT deixou bem claro que a maioria da bancada preferia o nome de Virgílio Guimarães (PT-MG). Tradicionalmente, o partido com maior número de parlamentares federais é quem indica o candidato a presidente da Câmara. Nas divergências e falta de sintonia, aconteceu o que vimos. O problema é ser o PT um verdadeiro saco de gatos, sofrendo de permanentes espasmos stalinistas, sigla avessa à convivência com a idéia de democracia. Além disso, desde que alcançou o poder, o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) e a maioria dos seus ministros não recebem parlamentares, não gostam de conversar e vivem de efetuar promessas nunca cumpridas. Esquecidos de que nos encontramos, para o bem ou para o mal, dentro de sistema em que fica complicado buscar-se ganhar no grito e na base da imposição os espaços que devem ser conquistados com habilidade. O principal negociador da legenda é seu presidente, ex-deputado federal José Genoíno (SP), pessoa sem a menor credibilidade, cuja reputação foi à lona depois do lançamento do livro, "O Coronel Rompe o Silêncio" (Editora Objetiva), depoimento de Lício Ribeiro ao jornalista Luiz Maklouf de Carvalho a respeito da Guerrilha do Araguaia. Lá está dito, com todas as letras, que Genoíno entregou seus companheiros no primeiro grito (somente ele escapou vivo) e, dessa forma, a Guerrilha foi arrasada. Genoíno, mais conhecido como "mariposa" (no salão verde da Câmara, não podia ver luz de televisão que corria para cima), é vocação desmoralizada de autoritarismo. A única coisa na qual conseguiu se sair a contento em cinco mandatos exercidos foi decorar o Regimento Interno da Casa, conhecimento utilizado para confundir os pares em legislaturas que sucessivamente se deterioravam nos planos intelectual e moral. Efetuado o levantamento do nome preferido na bancada petista da Câmara, que fez Genoíno? Deixou o dito pelo não dito e tentou impor com a trupe palaciana a figura de Greenhalgh, pessoa antipática e refratária ao convívio parlamentar, um ilustre desconhecido apesar de estar na Casa há cerca de 14 anos, cumprindo seu quarto mandato. Pois o PT continua a insistir nos velhos erros. O pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto. Não é que resolveu suspender o deputado Virgílio Guimarães "de suas atividades parlamentares" por um ano, decisão a ser ratificada pelo Diretório Nacional do Partido no próximo mês de abril? E Virgílio está agora denunciando a "sovietização" da legenda, em referência explícita ao período de perseguição sofrido por dissidentes durante os anos mais duros do regime comunista na extinta União Soviética. Se for feito levantamento categórico da situação do PT nos 26 estados da Federação, juntando-se a eles o Distrito Federal, o quadro a emergir é preocupante. No Distrito Federal, por exemplo, não tem mais condições de ficar sequer em segundo lugar. A decepção causada aos seguidores de mais de duas décadas fez com que a maioria dos funcionários públicos e de largos setores das classes médias se afastasse de suas fileiras. O cenário exibido no DF não é diferente do apresentado no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde, no último, a passagem desastrosa de Marta Suplicy pela prefeitura do capital causou danos irreversíveis. O PT entrou agora num processo de autofagia onde expõe brutalmente suas entranhas. O desmonte ocorrido, desde que assumiu o governo federal, vai corroendo com velocidade impressionante o que lhe resta de crédito. Começou nas manobras em que impediu a instalação de CPI que apurasse o rumoroso episódio Waldomiro Diniz, braço direito do ministro Zé Dirceu (Casa Civil), tentando salvar rescaldos irrecuperáveis. Continuou na insistência de aliança com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), a quem o deputado federal Luiz Inácio acusava de "maior ladrão da história do Brasil". Segue na tentativa brutal de esconder o assassinato do prefeito Celso Daniel (Santo André), passa pela visível inação administrativa e continua na perseguição gratuita e no acirramento de suas divisões. Desse jeito, vai ser quase impossível reeleger Dom Luiz Inácio. Se tudo tem limite, o PT tem se esmerado em exceder todas as medidas.x Email: [email protected]

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