- 05 de janeiro de 2026
Quem alimentar dúvida a respeito do papel dos grandes órgãos de imprensa no Brasil, engajados na defesa incansável do capital estrangeiro, faça o favor de passar a vista em documentos da CPI do Banestado. Observe a lista dos que enviam bilhões de dólares (através do CC5) para contas bancárias no exterior, verificando, ainda, nomes listados e omitidos. Personagens excluídos de investigação detalhada. Dias antes da derrubada das duas torres do World Trade Center de Nova York, ação desesperada de grupos islâmicos que vêem seus países espoliados e suas populações massacradas há séculos pelo imperialismo ocidental, o "comentarista" político Arnaldo Jabor (Rede Globo) estava praticamente de malas prontas para morar naquela agradável cidade, símbolo da cultura pop e do capitalismo mundial. Através da revista Istoé, ficamos sabendo que Jabor remeteu cerca de 700 mil dólares para o exterior, garantindo-se, assim, no caso de intempéries não programadas. Mas, aí, o presidente norte-americano George Bush colocou tudo a perder: decidiu invadir o Afeganistão e logo em seguida o Iraque, aprisionando, torturando e matando qualquer um que mostrasse semelhança física com árabe. Horror total! E Arnaldo Jabor, juntamente com Nelson Mota e outros menos votados, decidiram retornar ao Brasil (azar o nosso), pois ficaram com medo que reação mais forte levasse homens-bombas a explodirem em plena Manhattan, numa vingança irracional, mas justificada diante de tanta insensatez. Impedidos de circularem na Colônia, eles passaram a ocupar programas televisivos tupiniquins, desancando Bush e os países que se recusam a pagar juros extorsivos de dívidas externas criminosas. Aqui, estreitaram laços de associação com Miriam Leitão, Renato Machado e outros, na defesa do absolutamente indefensável: a necessidade de se cumprirem prazos e acertos em que países como o nosso perdem bilhões de dólares no pagamento de juros de agiotagem, entregando riquezas naturais e produzidas, condenando suas populações à miséria. No governo Collor de Mello (1990-92), o secretário da Ciência e Tecnologia, José Goldemberg, cometeu o despautério de defender a entrega de parte de nossas florestas para pagamento da dívida externa. A ele, fazia coro o secretário do Meio-Ambiente, José Lutzenberger, entreguista juramentado que inclusive é denunciado em publicação da EIR (Executive Intelligence Review). Lutzenberger só falava em alemão dentro da Secretaria, como se ocupasse solo estrangeiro. Tudo isso vem ao caso, no instante em que a Argentina continua comemorando os termos da redução de sua dívida externa, fato que recoloca novamente o vizinho na rota do desenvolvimento. É lamentável verificar que nossas emissoras de televisão dão pouco destaque ao assunto, que desinformam. E que os "comentaristas" econômicos da Globo, comprometidos com a Colônia, falam sobre isso apenas de passagem e não esclarecem a população. O presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), que no início da gestão via-se obrigado a receber dezenas de pessoas humildes, postadas no portão do Alvorada, já está vendo a grama crescer na sua porta, embora sem completar ainda três anos de desgoverno. Daqui a pouco, terá apenas os potentados e "comentaristas" econômicos das grandes redes a lhe fazer companhia. É muito pouco para quem já foi, inclusive, indicado para receber o prêmio Nobel da Paz, solerte manobra política de países do chamado primeiro mundo, massageando o ego dos que se embriagam facilmente com o poder. O PT, aliás, mudou de tática: para cada acusação sofrida, rebate com outra, confundindo o distinto público. Quando o caso do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), veio à tona recentemente, mostrando o alto grau de envolvimento do empresário Sérgio Gomes da Silva (o "Sombra"), tratou-se imediatamente de relembrar a privatização do setor elétrico (gestão FHC), os assuntos se sobrepondo. No depoimento do irmão do prefeito assassinado (médico que goza de excelente reputação), foi dito com todas as letras que o edil morreu por ter descoberto esquema de corrupção em que boa parte do dinheiro arrecadado nas propinas ia também para campanhas políticas, entregue nas mãos do hoje ministro da Casa Civil, Zé Dirceu (PT-SP). Com tal tipo de ramificação, abraçando e envolvendo interesses inconfessáveis e indivisíveis, será impossível promover qualquer reforma, seja ela de que natureza for. Talvez as revoluções estejam fora de moda, mas nada impede que o país, depois de tomar consciência da impossibilidade de mudar seus rumos, caminhe para uma sublevação de espantar incautos espectadores. Porque é a isso que nossas principais autoridades nos conduzem. Email: [email protected]