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HÁ DE SE MUDAREM OS RUMOS - Márcio Accioly

A CPI do Banestado (sobre a qual não se tece mais qualquer comentário), flagrou o presidente do BC - Banco Central -, Henrique Meirelles, com a mão toda enfiada na botija: lavando dinheiro, sonegando, formando quadrilha e movimentando milhões e milhões de dólares no exterior. Considerado a mais importante autoridade da área econômica do país, o chefão do BC sequer se abalou. Tem certeza de que ficará impune.


Boa Vista - A CPI do Banestado (sobre a qual não se tece mais qualquer comentário), flagrou o presidente do BC - Banco Central -, Henrique Meirelles, com a mão toda enfiada na botija: lavando dinheiro, sonegando, formando quadrilha e movimentando milhões e milhões de dólares no exterior. Considerado a mais importante autoridade da área econômica do país, o chefão do BC sequer se abalou. Tem certeza de que ficará impune. Depois de morar durante vários anos nos EUA, Meirelles retornou ao Brasil e conquistou mandato de deputado federal pelo estado de Goiás. Mais que isso, sagrou-se vitorioso em primeiríssimo lugar. Foram 183 mil e 46 votos, correspondentes a 7,011% do eleitorado. Só esse resultado deveria ser motivo para a instalação de outra CPI, desta feita apurando de uma vez por todas a questão da compra de votos. Pois bem: apesar de envolvido numa série interminável de comprovadas falcatruas, grande parte cometida à época em que presidia o BankBoston, Henrique Meirelles rola e deita no nosso país, dizendo o que pode ser feito e o que não, através de seu ventríloquo Antônio Palocci, formalmente empossado no cargo de ministro da Fazenda. E Palocci cumpre à risca o papel que lhe é destinado. Prova disso é que pressiona parlamentares, no Congresso Nacional, querendo tornar o BC completamente independente. Quer a instituição ao sabor direto das ondas e humores do capital financeiro mundial, sem a necessidade de prestar satisfações ao país. Enquanto isso, por onde andará o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP)? Mais perdido do que cego em tiroteio. Ouvindo o galo cantar, mas incapaz de identificar onde. Desde 1979, quando o processo neoliberal teve início, temos presenciado apenas a presença de fantoches na Presidência. Figuras sem o menor compromisso com nosso futuro, claramente manipulados pelos cordéis do FMI. O cume de toda essa desordem aconteceu na gestão FHC (1995-2003), quando se desnacionalizou a economia em cerca de 78%, na entrega criminosa de quase todas estatais com o financiamento do BNDES. Os crimes cometidos por FHC e sua quadrilha (Pedro Malan, Armínio Fraga et caterva) foram tão clamorosos que o então presidente fez tudo para se proteger e também à sua gangue. Quase no apagar das luzes da "administração", fez aprovar uma lei, de autoria do deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB-MG), em que só poderia ser processado pelo STF - Supremo Tribunal Federal. Mas, mesmo assim, se fosse feita uma auditoria nas chamadas privatizações, a irresponsabilidade dos atos levaria FHC à prisão perpétua. Seria necessário tão somente que algum ou alguns parlamentares se mobilizassem no interesse da sociedade, numa campanha de esclarecimento que levasse o povo às ruas. Afinal de contas, os mandatários estão aí para defender, em tese, a sociedade que representam. Essa campanha poderia ser deflagrada, até mesmo, a partir de uma das 23 Assembléias Legislativas Estaduais, ou pela Câmara Distrital do Distrito Federal. Claro que iria encontrar espaço e respaldo em vários dos meios de comunicação que não se encontram amarrados a esquemas suspeitos da especulação financeira internacional. Se houvesse tal mobilização, poder-se-ia exigir o cumprimento ao pé da letra da Circular 3278, que foi publicada no Diário Oficial do último dia 25, determinando que "residentes no Brasil, ou empresas com sede no Brasil, nacionais ou multinacionais, estão obrigadas a declarar o que possuem no exterior em moeda estrangeira". Calcula-se que pelo menos 200 bilhões de dólares foram desviados do Brasil e se encontram em contas não declaradas, no exterior, recursos provenientes da lavagem, corrupção generalizada, além de subfaturamento e superfaturamento nas importações e exportações. Uma campanha como essa, terminaria se aprofundando e expondo à luz do dia os indivíduos culpados pelo nosso sofrimento e subdesenvolvimento, forçando a mudança de nossa legislação e promovendo-se a revolução que se requer na punição dos criminosos. Talvez assim, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, fosse apeado do cargo e entregue à Justiça. Onde se encontram nossos parlamentares livres e independentes?x Email : [email protected]

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