- 03 de fevereiro de 2026
Continua ainda, na pauta do dia, discurso proferido por Dom Luiz Inácio (PT-SP), no Espírito Santo, que confessou com todas as palavras ter acobertado corrupção praticada por seu antecessor, FHC (1995-2003). Sua excelência se referiu especificamente à questão das "privatizações", quando quase todas as nossas estatais foram vergonhosamente doadas, financiadas pelo BNDES na bacia das almas. De lá para cá, tudo mudou para pior. Mas o PT, que passou quase 25 anos de sua existência lutando para chegar ao poder, prometendo reforma nos métodos e costumes, terminou por se acumpliciar com o que existe de pior, segundo o próprio presidente. Seria o caso de os parlamentares federais tomarem as rédeas da situação, na defesa dos interesses do país. Aplicando, apenas, o que preceitua a Constituição Federal no seu artigo 85, inciso V, ao abordar "a probidade na administração". O nada fazer irá equivaler à colocação de todos na mesma panela. O que FHC fez ao Brasil foi a mesma coisa que aconteceu na Rússia de Gorbatchev e Boris Yeltsin. Arrasaram aquele país, entregaram tudo a asseclas e apaniguados, fazendo brotar a violência no alto grau de miséria imposta. As riquezas da extinta União Soviética foram entregues à máfia e grupos associados com os detentores do poder, no depósito farto de comissões em contas bancárias no exterior. Quem tiver qualquer dúvida, consulte o livro de Joseph Stiglitz, "A Globalização e seus Malefícios". Ex-economista-chefe e ex-vice-presidente sênior do Banco Mundial, além de consultor do governo Bill Clinton (1993-2001), ele acompanhou bem de perto toda a estratégia montada pelo FMI no trato da globalização, tornando-se crítico vigoroso da forma como foi efetuada. No Brasil, apesar das irrefutáveis denúncias, nada se fez até o presente para se apurarem atos criminosos praticados por FHC, cujas ações no exercício da Presidência devem ser consideradas crime de lesa-pátria. E nem precisaria de muita coisa. Bastaria verificar o acontecido no setor elétrico, quando foram entregues a bilheteria do sistema, levantando-se o valor total do calote da Eletropaulo, no favorecimento de empresas internacionais que ao levarem tudo deixam a terra arrasada. A gestão FHC também não iria resistir a uma análise apurada do que se fez com a Petrobras, através da Lei 9.478/97. Mas é preciso lembrar que a condição de cúmplice do PT ficou bem clara a partir do instante em que este assumiu o governo (2003), quando negociou a não formação de CPI no Congresso Nacional. Justamente a que deveria apurar o caso da privatização do Sistema Telebrás. Por conta de tudo isso é que o ex-presidente FHC se atreve a colocar a cabeça de fora e falar numa sua possível candidatura presidencial, para 2006, quando já deveria ter sido julgado e preso. A Câmara dos Deputados, que deu um grito de liberdade na eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para sua Presidência, bem que poderia exercer sua autonomia na plenitude e admitir a acusação de improbidade por parte de Dom Luiz Inácio. Nada falta para que se dê início ao processo, já que o mais alto mandatário do país é réu confesso. Talvez, assim, pudéssemos dar início às mudanças que todos desejam. Sob ameaça de impeachment, o presidente certamente abriria o bico e daria nome aos bois, seus cúmplices. Email: [email protected]