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PINTA DE FAVORITO - Márcio Accioly

No encontro com os deputados federais, Palocci fez aquilo que seu partido sempre combateu vivamente na oposição: prometeu liberar recursos financeiros, as tais emendas parlamentares, buscando adoçar a boca (e os bolsos) dos já ressabiados congressistas. Só que, promessas não cumpridas, cansam! E o PT tem deixado muita gente na mão.


Brasília - Pode ser até que Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) se sagre vencedor no primeiro turno, ou mesmo no segundo, na eleição para a Presidência da Câmara que irá acontecer nesta segunda-feira (14). Mas o PT (leia-se, Palácio do Planalto), não está tão certo desse resultado. Tanto que os caciques da legenda, presidente Dom Luiz Inácio Lula da Silva e ministro-chefe da Casa Civil, Zé Dirceu, à frente, estão se utilizando de todas as armas disponíveis para entronizar seu preferido. Prova disso, foi a realização de um café da manhã "informal" nesta sexta-feira (11), com a presença dos principais líderes partidários na companhia do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Este, apesar de formalmente designado como gestor das decisões econômicas do governo, não passa de mero subordinado às decisões do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que, por sua vez, atende a decisões emanadas de Washington. No encontro com os deputados federais, Palocci fez aquilo que seu partido sempre combateu vivamente na oposição: prometeu liberar recursos financeiros, as tais emendas parlamentares, buscando adoçar a boca (e os bolsos) dos já ressabiados congressistas. Só que, promessas não cumpridas, cansam! E o PT tem deixado muita gente na mão. Neste jogo de interesses, existe até mesmo espaço para pressões exercidas pela área militar, que não deseja de forma nenhuma ver o ungido do Palácio do Planalto ser conduzido ao posto hoje ocupado por João Paulo Cunha. Sob esse aspecto, as circunstâncias depõem contra Greenhalgh: inclusive o fato de jamais ter se preocupado em saber o nome de parte significativa dos 513 parlamentares da Casa. Ele nunca se balançou, sequer, para se tornar mais próximo dos já conhecidos. A maioria reclama de sua imagem arrogante e distanciada (visivelmente fria), de pessoa colocada à margem de gesto de natureza cordial. Somente agora, às vésperas da votação, é que sua excelência tem telefonado pessoalmente para os gabinetes, buscando recompor tempo perdido. Em muitos dos consultados a antipatia só fez aumentar. Dentro de tal cenário, é possível que a candidatura do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) surpreenda. Seu nome cresceu na última semana, sem sombra de dúvida, em cima dos indecisos e de parlamentares do chamado baixo clero que se sentem marginalizados pelo Planalto e esquecidos pelo Colégio de Líderes. Está se formando uma opinião entre boa parte desses deputados de que o atual momento pode ser propício ao troco devido. Severino tem ampliado espaço entre eleitores de Virgílio Guimarães (PT-MG) e entre aqueles que não desejam votar em Greenhalgh. Caso aconteça um segundo turno entre os dois, vai ser difícil, quase impossível, arrebatar o cetro do parlamentar pernambucano. Ele é muito experiente, possui inegável vocação parlamentar, é considerado afável e de confiança. Figura em quem os integrantes do baixo clero confiam. Tido como extremamente habilidoso, começou sua vida política como deputado estadual em São Paulo (fato que muitos desconhecem), retornando a seu estado de origem (PE), onde exerceu mandato de deputado estadual por várias legislaturas. Deputado federal desde 95, já foi primeiro-secretário da Câmara, segundo vice-presidente e é o atual segundo-secretário. Transita com galhardia. Por tudo isso, os caciques da legenda petista, em especial o seu presidente nacional, José Genoíno, estão se mobilizando e colocando a máquina administrativa, em peso, a serviço da candidatura oficial. O custo de todo esse processo vai para o acúmulo negativo do desgaste permanente do PT, em dívida a ser saldada, pelo eleitorado, em pleitos vindouros. Email: [email protected]

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