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UM TOGADO ROMANO - Márcio Accioly

Na adolescência de sua criação, depois de mergulhar na questão apodrecida do esquema gafanhoto (cujos principais responsáveis continuam livres e impunes, oferecendo exemplos dos mais desairosos), eis que surge mais um esquema em Roraima, atingindo agora, frontalmente, o Poder Judiciário.


Brasília - Com apenas 15 anos de existência, o estado de Roraima já atraiu o que existe de pior em termos de fama. Não vamos nem falar do tempo de Território Federal, quando os recursos financeiros eram mais do que fartos, mas, mesmo assim, o gerenciamento em grande parte dos casos deixou muitíssimo a desejar. Em determinado momento da existência do extinto Território, teve governador que mandou até mesmo dragar o velho Rio Branco, colocando máquinas enormes que se tornaram minúsculas na paisagem e se perderam na imensidão do leito do lodaçal formado. E o trabalho de retirada de sua areia límpida foi se transformando em cifras astronômicas que rocegavam também os cofres públicos. Governador existiu, às vésperas da transformação em estado, que nada fez e nada deixou, além de placas indevidas em todos os seus recantos, com a finalidade única, criminosa, de se fazer lembrar em tempo póstero, os olhos arregalados na direção de futuros cargos eletivos. Alguns, passarão, outros, passarinho, na lembrança do ex-ministro do regime militar (1964-85), Jarbas Passarinho (Arena-PA) que confessou, áudio aberto, possuir escrúpulos de conveniência (e que nada tem a ver com nossa história, ou tem tudo a ver?). Na adolescência de sua criação, depois de mergulhar na questão apodrecida do esquema gafanhoto (cujos principais responsáveis continuam livres e impunes, oferecendo exemplos dos mais desairosos), eis que surge mais um esquema em Roraima, atingindo agora, frontalmente, o Poder Judiciário. Que iremos dizer às gerações presentes e futuras, a respeito da Operação Pretório (ora desencadeada no estado), colocando na cadeia a mulher e a sogra do presidente do TRE, Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, desembargador Mauro Campello? O mesmo órgão que julgou contrariamente a todos os recursos impetrados pelo hoje governador Ottomar de Sousa Pinto (PTB), quando este clamava por Justiça numa ação que foi posteriormente julgada procedente pelo TSE - Tribunal Superior Eleitoral? Seria o caso de, em se parodiando a música do impagável compositor Chico Buarque de Hollanda, chamar-se o ladrão? Depois de fato deplorável como esse, como justificar a prisão de ladrões comuns, os que surrupiam galinha nos quintais alheios, batedores de carteira e autores de furtos menores, condenados por delitos de menor monta? Como justificar que a lei existe, sim, mas com dois pesos e duas medidas? A nossa organização social, no país inteiro, atingiu desníveis tão alarmantes que já se tornou impossível tapar o Sol com uma peneira. Não dá mais para mistificar, enganar, fazer pregação moralista, enquanto fatos indecorosos acontecem bem debaixo de nosso nariz. Dia desses, ao ser flagrado na bandalheira em pleno STJ - Superior Tribunal de Justiça, um de seus ministros foi "punido" com o afastamento de rechonchuda aposentadoria. O envolvimento de magistrado de tal envergadura, em caso como esse da Operação Pretório, inclusive sob a acusação de venda de sentenças; remete-nos para a etimologia da palavra larápio: " Em Roma, existia um pretor chamado Lucius Antonius Ruffus Appius, que, nos documentos públicos, por economia, assinava L.A.R.Appius. Infelizmente, o tal pretor era mau banqueiro e praticava a agiotagem, sendo venal e sem escrúpulos, o que deu lugar a que se chamasse aos como ele, 'larapius', que veio a desaguar no nosso vulgar larápio". Mauro Campello parece que vinha se mirando em tal exemplo. Quem são seus cúmplices? Email: [email protected]

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