- 05 de janeiro de 2026
Hoje o mundo começa a pegar fogo. É o reinado de Momo em toda a sua exuberância. Momento em que, para uma grande parcela da população, ninguém é de ninguém. Até a quarta-feira de cinzas, vale tudo. A tradição assegura que durante esse período tudo é permitido debaixo do céu. "Tomar todas" é a receita da hora, não importando aonde a "vaca" vai parar. Apesar de todos saberem inexoravelmente o seu destino: o brejo. É nesse período de euforia exacerbada, quando, para muita gente boa, levar em consideração sentimentos altruístas de dignidade, de honradez, de equilíbrio emocional, e até mesmo do senso do ridículo significa o mesmo que desmamar o bebê que ainda não conhece a mamadeira. "Esse ano não vai ser igual àquele que passou", já dizia o poeta. E é verdade. A cada ano a brincadeira fica mais degenerada e cara. Em todos os sentidos. Avança a passos largos rumo à depravação generalizada, à desintegração familiar, à disseminação de acidentes de trânsito com mortes violentas e ao mesmo tempo evitáveis, tanto nas rodovias como nas cidades. Pequenas ou grandes. Enfim, há de se reconhecer a brutalização do ser humano que se acirra ano a ano. Desnecessário dizer que durante o reinado de Momo a promiscuidade sexual impera de forma desbragada. O resultado são doenças as mais diversas, entre elas a tão temida aids, que se já não é fatal em vista das doenças oportunistas, como ocorria havia até pouco tempo, ainda é algo que desestrutura emocionalmente o indigitado por ela acometido. Na melhor das hipóteses, a orgia que corre solta nesses dias mostra seus frutos dentro de nove meses. É quando começa a surgir o resultado em forma de bebês - muitos deles indesejáveis. Mais que alegria por ter nascido um homem ou uma mulher na face da terra, significam problemas sociais a serem resolvidos. A Bíblia diz que o mundo jaz no maligno. Nestes dias de reinado momesco essa máxima bíblica fica mais evidente. Ninguém é de ninguém. O principal mandamento de Jesus, o amor entre os seres humanos, é coisa difícil de se encontrar. Alguém já cantou sobre o "amor de carnaval". Não há nada mais carregado de desamor que o dito amor de carnaval. É o grau máximo de bestialização das relações interpessoais. Só encontra paralelo no irresponsável "ficar", tão em moda entre adolescentes. Durante esses dias, muita gente boa perde a qualidade de ente criado à imagem e semelhança de Deus, e passa a incorporar criaturas de segunda ou terceira categorias. Alguns se transformam em porcos. Passam a fuçar na lama e o pastor Antônio Filho, com sua Ronda da Misericórdia, os recolhe, dá banho, roupa limpa e alimentos. Outros, por comportamentos agressivos, passam à condição de pássaros. Viram hóspedes da Cadeia Pública. Quando passa a ressaca é que vão ver a besteira que fizeram. Então será tarde. Tudo isso ainda pode ser evitado. Jesus oferece hoje uma oportunidade. Ele promete não a alegria passageira de apenas quatro dias, mas, sim, uma vida de alegria eterna. Uma vida onde não haverá ressacas nem lágrimas. "Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância". Pense nisso antes de cair na folia. (*) Jornalista e diácono batista; escreve neste espaço às sextas-feiras; e-mail: [email protected]