- 05 de janeiro de 2026
Por Marlen Lima A imprensa roraimense está cada vez mais tendo a cara de uma menina pobre, suja e indefesa. Explico. Pobre pela atuação quase sempre medíocre, ou em muitos casos nenhuma ação, em relação a temas espinhosos, delicados que diretamente têm afetado os profissionais de comunicação do Estado. Suja está quando justamente se fecha e revela a podridão dos conchavos políticos, que certos jornalistas fazem sempre em benefício próprio (estes que mais se parecem com traficantes, prostitutas da informação). Estes ditos jornalistas jamais atuam em nome de um projeto de comunicação que vá ao encontro dos anseios da população, e até mesmo da sua categoria. Categoria esta que não sabe unir forças e que se vê sempre manipulada, aleijada por não ter poder de mostrar o seu real papel. Indefesa já que o lema de lutar pela democracia em prol de atuar a serviço da sociedade acaba sempre por se encontrar em 'xeque', quando os próprios veículos de comunicação do Estado se fecham e nadam noticiam sobre os abusos praticados por aqueles que devem trabalhar em nome da democracia e pelo bem do povo, os políticos. Dos mais expoentes jornalistas que atuam como críticos, colunistas, analistas e cronistas do Estado não se pode esperar algo à altura do barulho que fazem, ora em outros momentos em que o assunto não é imprensa à venda. A imprensa não está tendo a coragem de colocar a cara para fora para se posicionar contra as agressões à liberdade de expressão. Dos poucos jornalistas que têm essa coragem os espaços para apresentar suas idéias são poucos, ou nenhum. Mas estes servem, ainda assim, como símbolos de uma esperança falsa de que dias melhores virão. Aos políticos cabe bem nos representar. A imprensa cabe noticiar e criticar o que acontece. Ao Sindicato dos Jornalistas cabe ser a bandeira de proteção que cada profissional precisa para que seus direitos não sejam usurpados, mas o que infelizmente acaba sempre ocorrendo é isso. E os exemplos disso são muitos quando políticos se acham no direito de processar jornalistas só porque acharam que foram ofendidos na sua honra. Os processos estão aí para comprovar. Em quase sua totalidade os processos revelam que o que foi noticiado, criticado pelo profissional da comunicação é a mais pura verdade. O que nos mostra que o jornalista está apenas exercendo o dom que lhe foi dado que é o de escrever, revelar, informar os fatos e na sua visão privilegiada tecer os comentários devidos, calcados em bases legais e factuais do que se acontece num meio tão sujo, nojento, mas necessário, que é na política. Num primeiro momento pode até parecer que é um tiro no pé, mas não é! Até porque sou sindicalizado e participei das últimas eleições em que os candidatos os quais apoiei foram todos vencedores, tendo em especial as duas últimas eleições à presidência do Sinjoper, o Sindicato dos Jornalistas de Roraima. Mas é o que coloco aqui para apreciação e avaliação do leitor, em especial aos colegas jornalistas, é que a imprensa roraimense precisa mostrar que tem cara, que tem caráter, que é formada por pessoas que têm histórico, que tem orgulho e dom de ser o que são, jornalistas que estão a serviço da sociedade. Para tanto o caso da prefeita que teve o aval da Justiça para que o seu nome não fosse mais mencionado numa rádio é só mais uma aberração que os profissionais de imprensa, e aí podemos incluir o Sinjoper, se calam, bem como a própria sociedade que não se manifesta e é a mais prejudicada nesse processo. Cadê a OAB? Cadê o Ministério Público? A guerra que se trava hoje mostra a continuação da força da manipulação dos políticos e a derrota da imprensa, que em resumo podemos dizer que quem está perdendo é o cidadão roraimense que se vê cada vez mais impedido de exercer, de viver a liberdade democrática. Esta tão rezada em período eleitoral.