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COMPORTAMENTO - Prazer movido a fantasias

Um dos maiores orgulhos da enfermeira Alcione Natal, de 28 anos, é o guarda-roupa de fantasias eróticas. São sete. A mais recente, de camuflagem à moda militar, ela comprou numa sex shop do Conic. Esses apetrechos são a maior arma da jovem para manter aquecido o casamento de cinco anos.


Erika Klingl Da Equipe do Correio Um dos maiores orgulhos da enfermeira Alcione Natal, de 28 anos, é o guarda-roupa de fantasias eróticas. São sete. A mais recente, de camuflagem à moda militar, ela comprou numa sex shop do Conic. Esses apetrechos são a maior arma da jovem para manter aquecido o casamento de cinco anos. "A gente não pode deixar as coisas se tornarem normais, caírem na rotina. Estou sempre inventando moda", conta. Ela não é a única. Pesquisa feita pelo Núcleo de Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo mostra que 8% dos brasileiros consideram o uso de acessórios fundamental para que a vida sexual permaneça movimentada. Coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo (USP), o estudo acaba de se transformar em livro e traça um panorama do comportamento sexual dos brasileiros em treze estados do Brasil. Alguns dados são surpreendentes. Quando perguntados sobre o que não pode faltar em uma relação sexual, quase 90% de homens e mulheres consultados citaram sabe o quê? O beijo. Em segundo lugar vem o abraço. Só depois os entrevistados referiram-se à penetração vaginal, anal e ao sexo oral. Alcione é casada com um homem 20 anos mais velho. Hoje a diferença de idade não assusta a enfermeira. No início, de acordo com ela, foi bem mais difícil. "Ele tinha acabado de sair de um casamento e estava meio enferrujado", lembra. "Tive que suar para tirá-lo do arroz com feijão porque o sexo é muito importante para a relação." A estratégia da jovem foi mostrar para o marido que o prazer dos dois está associado à cumplicidade. "Quando um está preocupado em fazer o que o outro gosta, tudo flui muito mais fácil." A atitude de Alcione é comum às mulheres. Quando perguntadas quais as principais preocupações delas na cama, mais do que o temor de pegar uma doença ou não chegar ao orgasmo está a satisfação do parceiro. Não conseguir "dar a segunda" incomoda quase um terço dos homens, assim como não saber fazer alguma coisa pedida pela mulher. Estudo abrangente A pesquisa Descobrimento sexual do Brasil - para estudiosos e curiosos foi realizada com 7.103 pessoas em parques, praças, praias e shoppings de treze capitais brasileiras em 2003 e 2004. "Nunca havia sido feito um levantamento tão abrangente sobre sexualidade antes", afirma a psiquiatra Carmita Abdo. Os entrevistados responderam a um questionário com 87 perguntas sem precisar identificar o nome. "Mantemos o sigilo para facilitar a veracidade das informações", diz Carmita. "Sem precisar se identificar , não há motivo para mentir." A idade média das pessoas que responderam ao levantamento é de 37 anos, variando dos 18, idade mínimo, até 80, o mais velho a participar. A psiquiatra destaca que todos os sete mil eram alfabetizados. Uma das questões era sobre o que mais interfere negativamente no desempenho sexual de cada um. O cansaço é o mais citado, tanto por homens quanto mulheres, com 50,1% e 57,3% respectivamente. A rotina foi lembrada por 34,3% delas e 28,1% deles. Além disso, parceiro pouco ou muito experiente, pouca intimidade entre os dois e compromisso podem complicar o sexo. De acordo com Carmita Abdo, dificuldades sexuais têm prejuízo em outras área da vida. Tanto que apenas 20% de homens e mulheres alegam não ter nenhum tipo de repercussão negativa devido à dificuldade sexual. Para 39,2% dos homens e 37,8% das mulheres, vida sexual insatisfatória prejudica a auto-estima. Além disso, 17,6% deles se sentem afetados no trabalho e 9,0% no lazer. Chamou a atenção dos pesquisadores o fato de que os índices de quem se sente prejudicado em outras áreas da vida foi bem mais alto nos homens que nas mulheres. "O sexo, para eles, é uma questão de honra. Muito mais que para as mulheres", observa Carmita.

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