- 03 de fevereiro de 2026
A indústria eletrônica registrou em 2004 a terceira maior taxa de expansão de sua história. Em volume de mercadorias vendidas, o resultado também foi o terceiro melhor desde o início do Plano Real, em 1994. Crédito disponível na praça, demanda reprimida e forte ação do varejo para desovar produtos explicam os resultados. Os números foram apresentados ontem pela Eletros, entidade que representa os fabricantes de eletroeletrônicos. A conclusão faz parte de uma comparação de dados realizada pela CNI. Pelas informações preliminares, a indústria entregou ao varejo 35,8 milhões de produtos no ano passado. Esse volume equivale a uma expansão de 20% em relação a 2003. Para este ano, a entidade fala em cifras mais conservadoras: espera uma elevação de 6%. Ao analisar anos passados, conclui-se que a alta de 20% só perde para a expansão verificada nos períodos de 1995 e 1996, anos seguintes à implantação da nova moeda brasileira. Naqueles dois anos, o montante de itens entregues às lojas cresceu 31,6% e 22,3%, respectivamente. A quantidade de itens vendidos atingiu 38,5 milhões e 47,1 milhões, respectivamente. Mas o período é encarado como excepcional e, portanto, de difícil comparação. "O resultado de 2004 faz a indústria voltar ao patamar de 2000, o último ano de bonança no setor. É complicado fazer uma relação com os números pós-Real porque são pontos fora da curva, com bons resultados por causa da entrada de novos consumidores no mercado", diz Paulo Saab, presidente da Eletros. Calcula-se que, nos anos de 1995 e 1996, 30 milhões de pessoas que estavam fora do mercado ganharam poder de compra e se tornaram potenciais clientes das lojas de varejo. Desde então, no entanto, o setor viveu de altos e baixos. A partir de 2001, a indústria registrou retração nas vendas consecutivamente. As causas foram a crise de energia em 2001, as elevações na taxa de juros ao consumidor em 2002 e a queda na renda e a alta na taxa de desemprego em 2003. O que explica a expansão agora é a mudança no panorama macroeconômico. Os bancos e as financeiras aumentaram o crédito disponível para as compras e opções como o empréstimo vinculado ao holerite expandiram a demanda. Além disso, as lojas ampliaram os prazos de pagamento em 2004 e ainda há a questão do ciclo de vida das mercadorias. Como a última grande compra de eletrônicos ocorreu em 1995 e 1996, cerca de dez anos atrás, existe um momento propício para a troca natural de mercadorias agora. O tempo de vida dos eletrônicos varia de 8 a 10 anos. Em 2004, foram vendidos 7 milhões de TVs, o melhor desempenho desde 1997. A demanda por refrigeradores também cresceu e a venda subiu 20% sobre 2003. Aconteceram aumentos de preço no ano -só em setembro a indústria anunciou publicamente um reajuste de 11% para certos itens. Preços maiores e volume elevado comercializado devem turbinar o caixa das marcas. A Gradiente, até setembro, teve alta de 107% na receita sobre 2003.