- 03 de fevereiro de 2026
Sandro Lima Da equipe do Correio Um mês e meio depois de substituir o presidente do BNDES, Carlos Lessa, pelo então ministro do Planejamento, Guido Mantega, como primeiro passo para uma nova reforma no primeiro escalão do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar hoje, em reunião com a coordenação política, quem será o sucessor de Mantega e, assim, o primeiro nome escolhido para a segunda equipe ministerial. Na primeira reunião que manteve neste ano com a coordenação, na semana passada, alguns ministros ainda estavam de férias e por isso Lula preferiu aguardar a presença de todos para iniciar as consultas políticas em torno das trocas nos ministérios. Lula dedica-se, em resumo, a uma nova tentativa para melhorar o desempenho administrativo de algumas pastas e consolidar, com o maior amplitude possível, a base política do governo, tanto para os embates no Congresso quanto para as eleições de 2006. Esses dois objetivos simultâneos inspiraram a troca de comando do BNDES, na segunda quinzena de novembro de 2004, que acabou por se refletir no Ministério do Planejamento. O baixo nível de investimentos do BNDES sob a presidência de Carlos Lessa e a ostensiva oposição dele à política econômica levaram Lula a recorrer a Mantega, auxiliar disciplinado e de sua inteira confiança. Desde novembro o Ministério do Planejamento está sob a gestão interina do secretário-executivo Nelson Machado. E na semana passada o presidente concluiu que a interinidade já se estendeu demais. Lula anunciou à coordenação política que decidiria durante o fim de semana a sucessão no Planejamento. Em gabinetes palacianos e no PT é atribuída ao presidente a intenção de nomear alguém que, disciplinado como o petista Mantega, atenda também a conveniência de representar outro partido ou segmento aliado - a parcela governista do PMDB, o pluripartidário grupo sarneysista, o PTB ou o PP. Roseana Sarney, sondada, não se interessou. Ela torce para que o presidente lhe conceda o comando do Ministério das Cidades, hoje exercido por Olívio Dutra. Anúncio público A exemplo do que ocorreu durante os meses que antecederam, em 2003, a reforma ministerial que Lula executou no início de 2004, o petista Olívio Dutra é novamente citado agora em todas as listas que indicam ou apenas especulam quais ministros serão demitidos. Contudo, no círculo mais próximo ao presidente ninguém se anima a garantir que, na segunda dança das cadeiras, Lula poupará outra vez Olívio ou o demitirá do cargo. A senadora Roseana Sarney está longe de ser a única a cobiçar o comando do Ministério das Cidades - que é, em tese, a pasta que dá as cartas nos programas e nas verbas federais para os setores de habitação, saneamento, transporte público e trânsito. Segmentos do PT, instalados dentro e fora do governo, e peemedebistas fiéis ao Planalto também sonham com a perspectiva de explorar o potencial do ministério para conquistar e multiplicar votos. Diferentemente do que aconteceu antes da reforma de 2004, as pretensões dos que desejam a substituição de Olívio Dutra foram alimentadas, agora, por manifestação pública do presidente Lula. Em jantar com senadores do PMDB, em dezembro, ele tomou a iniciativa de incluir o Ministério das Cidades entre as pastas de que se dispunha a lançar mão para contemplar aliados na reforma da equipe. A declaração ao PMDB e a tendência do presidente em mexer no comando do Ministério das Cidades são atribuídas, por parlamentares e fontes governamentais, à insatisfação de Lula com o desempenho da pasta e à necessidade política de transferir para setores ou partidos aliados uma parcela mais expressiva de gabinetes ocupados pelo PT na Esplanada. Caso decida demitir Olívio, o presidente deverá convidá-lo para a embaixada brasileira no Uruguai. Lula e Olívio são amigos do novo presidente uruguaio, Tabaré Vasquez, que tomará posse em março. A presença de Olívio no país vizinho facilitaria as relações entre os dois governos. Força ao PMDB aliado A conveniência de ampliar o espaço dos aliados poderá provocar ainda a substituição de outro petista: Humberto Costa, ministro da Saúde. Apesar do apoio do prefeito reeleito do Recife, João Paulo, a possível saída de Costa é associada por fontes do governo à intenção do presidente Lula em fortalecer a corrente governista do PMDB. Para isso, Lula deslocaria Eunício Oliveira (PMDB) do Ministério das Comunicações para o da Integração Nacional e entregaria a Ciro Gomes (PPS), hoje titular da Integração, o Ministério da Saúde. Ciro ainda reluta em assumir o Ministério da Saúde por considerar a Integração Nacional um posto com forte presença na região Nordeste, reduto dos interesses eleitorais de Ciro. Nos próximos dois anos, com o início da transposição das águas do rio São Francisco o ministério será uma vitrine que nenhum político quer perder. Pesa contra o nome de Ciro a resistência de setores do PT que são contra a presença de um quadro de fora do partido na pasta. Terceiro ministro Amir Lando, segundo ministro nomeado para a Previdência, deverá perder o cargo. O governo deseja manter a pasta na cota do PMDB, mas quer alguém que exerça influência na bancada e que tenha trânsito no Congresso. Nos corredores do Palácio, um dos nomes cogitados é do líder do PMDB, deputado José Borba (PR). Além de um nome que traga votos para o governo em votações importantes no Congresso, Lula quer do novo ministro pulso firme no combate as fraudes nos benefícios concedidos e uma guerra contra os sonegadores. O primeiro ministro da pasta na gestão Lula, Ricardo Berzoini, teve atuação destacada durante a reforma da Previdência, mas cometeu uma grave falha ao submeter aposentados a um recadastramento que levou milhares de idosos, muitos deles doentes, a formar filas quilométricas nos postos de atendimento do INSS. Amir Lando, que sucedeu Berzoini, não cometeu deslizes, mas tem sido até o momento um ministro sem expressão e com pouca visibilidade. O ministério, que já causou algumas dores de cabeça a Lula, pode tornar-se uma espécie de Ministério da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, em que a cada ano havia troca de ministros. Promessa O ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PCdoB-DF) deverá perder o cargo. Lula quer utilizar a pasta para que o PP tenha um assento na Esplanada. Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente Lula já havia prometido um ministério ao líder do PP na Câmara, Pedro Henry (MT). O partido apoiou o governo em votações importantes e assim credenciou-se para ganhar uma vaga na esplanada. Com a provável ida de Henry para a pasta de Esportes, Lula acomodorá um importante aliado e, ao mesmo tempo, dará uma resposta a setores do PT que reclamam que o PCdoB, devido a sua pequena bancada, não merece ter dois ministérios. Com a saída de Agnelo, o Distrito Federal, que em 2003 tinha dois ministros, ficará sem representantes no primeiro escalão do governo. O senador Cristovam Buarque, o outro representante do DF, foi demitido por Lula no final de 2003. Caso PTB Em um dos cenários traçados pelo Palácio do Planalto, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB), poderia ser deslocado para o Ministério do Planejamento. Lula o considera discreto e bom executivo, perfil que agrada ao ministro Palocci para o Planejamento. Mares Guia vê com bons olhos sua transferência para um ministério mais importante. Porém, o líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferrson (RJ) tem dito que prefere Mares Guia no Turismo, pasta com maior possibilidade de distribuição de emendas e cargos. De acordo com Jefferson, Mares Guias teria que cortar verbas ao invés de distribuí-las. 7 é o número de partidos representados na atual equipe ministerial 9 é o total de ministérios comandados por legendas aliadas ao governo, excluído o PT 15 petistas exercem o cargo de ministro