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Autoridades e políticos precisam ir ao cinema e ler um pouco mais

É claro que no caso de Roraima que vivenciou recentemente uma rebelião no CSE não se resolverá simplesmente iluminando quadras esportivas públicas. Programas coordenados nesse sentido, envolvendo escolas e a comunidade é que devem nortear essas ações. Isso é apenas uma parte de um todo.


Edersen Lima, Editor Brasília - Engana-se redondamente quem pensa que os filmes de Hollywood não venham embutidos de arte, cultura, conhecimento e lições. O problema é que a arte e a cultura sempre estão relegadas a planos inferiores nas administrações. Se toda autoridade, observasse um pouco mais esse detalhe muitos problemas sociais complexos, mas de prática solução, poderiam ser resolvidos ou pelo menos, amenizados em graus bem inferiores dos atuais. Tomo como exemplo o filme Traffic, de Steven Soderbergh, vencedor de quatro Oscars em 2001, que apresenta através de série de histórias interligadas um panorama sobre o alto-escalão do tráfico de drogas envolvendo um policial mexicano que se vê envolvido numa teia de corrupção; uma dupla de agentes federais que trabalha infiltrada no perigoso mundo dos traficantes; um barão da droga que é preso e explica como sua mulher tomou seu próprio negócio ilegal e ainda um juiz da Suprema Corte de Justiça, convocado para liderar a maior campanha de combate às drogas, mas que precisa lidar com sua filha, viciada em heroína e crack. A maior lição de Traffic, fica reservada para o final do filme, quando o policial mexicano Javier Rodriguez, vivido por Benício Del Toro, em troca das informações que presta ao FBI no desmonte do cartel em Tijuana, apenas pede para que o governo norte-americano ilumine campos de beisebol na sua cidade. "Assim eles (jovens e crianças) poderão brincar à noite ao invés de servirem de mulas(entregadores de drogas) para os traficantes". Isso é uma verdade. Quando se tem coisas sadias, divertidas e estimulantes para se fazer, como praticar esporte, dificilmente um jovem ingressa em algum sub-mundo marginal, seja das drogas, da vadiagem ou da prostituição. É claro que toda regra tem exceção, mas é raro encontrar quem mexa com drogas no meio esportista. Droga e esporte não combinam. Ou se faz uma coisa ou outra. Daí, a atenção e a importância que o esporte tem na vida de crianças e jovens. Basicamente, é nesse meio que, depois dos pais, os primeiros ídolos aparecem. É claro que no caso de Roraima que vivenciou recentemente uma rebelião no CSE não se resolverá simplesmente iluminando praças e quadras esportivas públicas. Programas coordenados nesse sentido, envolvendo escolas, organizações, imprensa e a comunidade é que devem nortear essas ações. Isso é apenas uma parte de um todo que envolve também atenção com arte e cultura que possam mostrar um caminho melhor a se seguir e alertar para os descaminhos inerentes. Há no livro "O Pequeno Príncipe" um capítulo onde o personagem em viagem a um planeta se depara com um jardineiro que está arrancando pés de Baobá, uma árvore feia com raízes grandes e que não dá frutos. "Temos que arrancá-las enquanto são pequenas e rasteiras, pois depois de grande se torna impossível". Isso vale para crianças, jovens e adultos. Pelo visto, governantes, autoridades e políticos precisam ir ao cinema e ler um pouco mais.

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