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AS BARBAS DE MOLHO - Márcio Accioly

Assassinatos políticos por envenenamento estão, mais uma vez, na crista da onda. Como as notícias se espalham com velocidade inacreditável (através do rádio, jornal e, principalmente, pela internet), gente boa e má de várias partes do planeta começa a imaginar que, afinal, pequena dose bem calibrada de substância nociva à saúde pode apresentar solução para grandes dificuldades e enormes problemas aparentemente intransponíveis. E cada qual que se cuide!


Boa Vista - Assassinatos políticos por envenenamento estão, mais uma vez, na crista da onda. Como as notícias se espalham com velocidade inacreditável (através do rádio, jornal e, principalmente, pela internet), gente boa e má de várias partes do planeta começa a imaginar que, afinal, pequena dose bem calibrada de substância nociva à saúde pode apresentar solução para grandes dificuldades e enormes problemas aparentemente intransponíveis. E cada qual que se cuide! A última figura importante da arena religiosa, que teria sido vitimada por digitalina, foi o cardeal Albino Luciani (1912-78), papa João Paulo I. Afirma-se que seu secretário de Estado, cardeal francês Jean Villot (já falecido), mandou-o desta vida para melhor. O escritor inglês David Yallop publicou livro investigativo memorável, "Em Nome de Deus", no qual relata com detalhes toda a trama que levou Luciani à morte. O papa era homem culto, simples e puro. Que imaginava ser capaz de desmontar esquema da máfia siciliana, ramificado em sua Igreja, contendo fraudes e desvios financeiros que envolviam o IOR (Banco do Vaticano), alcançava Michel Sidona e Lício Gelli (Loja Maçônica P2) e encontrava respaldo e incentivo na figura do bispo Paul Marcinkus, responsável pela direção do império financeiro do minúsculo país religioso. Na arena política, quando da morte recente do líder palestino Yasser Arafat, levantou-se também a hipótese de assassinato por envenenamento, visto ter sido acometido de estranhíssima doença que o consumiu em reduzido espaço de tempo. Falou-se inclusive que Arafat houvera contraído AIDS, sem explicar-se de que forma, pois não se encontrou maneira de se justificar a falência quase repentina de todos os seus órgãos vitais. Agora, surge história semelhante, registrada na Ucrânia, país espremido entre a Romênia, Bielorússia, Polônia e o Mar Negro. Médicos de clínica austríaca confirmaram o envenenamento do líder oposicionista ucraniano Viktor Yushchenko, a quem se serviu dioxina numa sopa, tomada em recepção/jantar que teve o patrocínio de líderes do serviço de segurança do país. Yushchenko, que era conhecido pela aparência bonita que seu rosto de feições clássicas exibia, ficou inteiramente desfigurado. Um caco. Além de dores nas costas, pancreatite e paralisação dos nervos no lado esquerdo da face, o oposicionista convive agora com a ameaça de diabetes e "perigo de dissolução dos órgãos vitais" que pode ser causado pela dioxina. O principal elemento a compor aquela substância é o agente laranja. Os EUA, como seria de se esperar, logo denunciaram o ato de "desumanidade" praticado, sem se lembrarem das toneladas de napalm que despejaram no Vietnã, substância composta também à base de agente laranja, e que queima a pele até os ossos especialmente se a pessoa atingida mergulhar na água para se livrar da agonia. O fato é que a Ucrânia, no momento, encontra-se à beira de guerra civil. A população insatisfeita com seus dirigentes se manifesta nas ruas todos os dias, enquanto aguarda nova rodada para as eleições presidenciais, na qual Yushchenko é o maior favorito (na primeira rodada, a fraude rolou abertamente). Essa história de envenenamento deveria deixar em estado de alerta muitos personagens da terra tupiniquim. Nunca é tarde para se precaver, pois seguro morreu de velho e desconfiado ainda vive. Tem gente que já está pensando duas vezes, antes de tomar água ou refresco em lugar desconhecido, ou reconhecidamente hostil às suas pretensões. Email: [email protected]

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