- 05 de janeiro de 2026
Helayne Boaventura Da equipe do Correio O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cogita antecipar de maio para janeiro o reajuste do salário mínimo. Segundo o senador Paulo Paim (PT-RS), ardoroso defensor de aumentos substanciais para o mínimo, Lula é simpático à idéia de adiantar em cinco meses a correção do salário-base, tradicionalmente reajustado em maio. O presidente aguarda apenas as tentativas de acordo no Congresso em torno do melhor valor para o novo mínimo. As conversas em busca de um número que agrade tanto a área econômica do governo como os trabalhadores começam hoje em uma reunião entre sindicalistas e a bancada do PT no Senado. ''O presidente vê com muita simpatia a idéia de antecipar o reajuste e tenho grande esperança de que isso ocorra'', contou Paim. O senador petista conversou com Lula durante a visita do presidente ao Rio Grande do Sul, na sexta-feira passada, quando ele assinou o protocolo de duplicação da rodovia BR-101. Lula já avisou aos auxiliares que não deseja repetir em 2005 o drama vivido este ano às vésperas da data-final para o reajuste, 1º de maio. Após seis reuniões com a equipe econômica, o presidente reajustou o mínimo de R$ 240 para R$ 260. Valor abaixo do cobrado pela oposição e até por governistas, que exigiam pelo menos R$ 280. O sonho do governo é de que os parlamentares cheguem a um acordo, com o aval do Palácio do Planalto, a tempo de incluir o novo valor do mínimo no Orçamento de 2005, que deverá ser votado até 31 de dezembro. A partir daí, Lula estaria liberado para editar uma MP a partir de 1º de janeiro. É por isso que já começam as negociações em torno do assunto. O relator de Previdência e Assistência Social do Orçamento de 2005, Sibá Machado (PT-AC), foi quem propôs o encontro entre bancada do PT no Senado hoje com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, e com o presidente do Sindicato de Metalúrgicos do ABC paulista, José Lopez Feijó. Machado terá a tarefa de pôr na peça orçamentária a sugestão de valor para o próximo ano. Um acerto com os petistas é importante porque está na bancada do PT uma das maiores cobranças por um reajuste significativo do mínimo. Marcha No encontro, os sindicalistas dirão que desejam um mínimo de R$ 320, número acertado pelas principais sindicatos de trabalhadores. O valor será a principal bandeira da Marcha a Brasília, promovida pelas centrais sindicais entre 13 e 15 deste mês, em defesa de um aumento real do mínimo. A exigência de 23% de reajuste está bem acima do concedido este ano, que foi de 8%. Os governistas também já buscam compensações para um eventual reajuste abaixo do esperado. Deverá ser instalada esta semana a comissão formada por onze deputados e onze senadores que irá propor uma política permanente de recuperação do mínimo. O grupo terá 60 dias para conversar com prefeitos, governadores, representantes de trabalhadores e das empresas para sugerir uma política permanente de reajuste. Mesmo que os governistas cheguem a um acordo, a oposição já avisou que não facilitará o trabalho do Planalto no Congresso. O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), por exemplo, alerta que criará problemas caso o presidente opte por um reajuste por meio de MP. Para ele, o aumento pode ser concedido por projeto de lei. ''Uma MP seria um desrespeito ao Congresso e, principalmente, um menosprezo à base aliada'', critica.