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AO ROUBO, SENHORES! - Por Márcio Accioly

Boa Vista - Sempre se falava em milhões e milhões de reais que o então governador de Roraima, Flamarion Portela (ex-PT), movimentava para pagar advogados que contratara em Brasília, com o objetivo de pugnarem por causa perdida: a chancela do Poder Judiciário à sua permanência na Chefia do Executivo do estado. Mas, para quê, afinal, desejava sua então excelência continuar no comando?


Boa Vista - Sempre se falava em milhões e milhões de reais que o então governador de Roraima, Flamarion Portela (ex-PT), movimentava para pagar advogados que contratara em Brasília, com o objetivo de pugnarem por causa perdida: a chancela do Poder Judiciário à sua permanência na Chefia do Executivo do estado. Mas, para quê, afinal, desejava sua então excelência continuar no comando? Por mais que se procure resposta só existe uma única explicação: para se locupletar e destruir tudo em volta. Flamarion fez tudo ao alcance, na tentativa desesperada de se agarrar ao cargo que lhe fugiu. Apoiou a prefeita de Boa Vista, Teresa Jucá (PPS), na corrida bem sucedida pela reeleição; dividiu esforços e poder com o senador Romero Jucá Filho (PMDB), na busca pela ampliação de seu leque de apoio político; e aceitava qualquer manobra e conchavo que desaguasse em aval à sua desastrosa gestão. Era um homem, por assim dizer, inteiramente perdido. O dia da decisão do TSE - Tribunal Superior Eleitoral -, que o varreu do cargo eletivo mais alto de Roraima, numa descarga judicial vergonhosa, teria sido a véspera de mudanças significativas no secretariado, com alguns nomes a ser indicado, inclusive, pelo próprio senador Filho. O que mais surpreende no nosso desmoralizado país é o fato de notórios e incorrigíveis criminosos não estarem cumprindo longas penas de prisão mais do que merecidas. Flamarion, por exemplo, sequer se viu ainda recolhido à Cadeia Pública de Boa Vista, mesmo se por curto período de tempo igual ao cumprido por antigos asseclas e associados. Sua excelência, na realidade, havia montado quadrilha de alta periculosidade, a quem classificava de "equipe administrativa", especializada no peculato e prevaricação. E somente isso bastaria como argumento definitivo à sua detenção. Nos últimos dez anos, Roraima foi vítima da sanha devastadora de identificados bandidos. Assaltantes dos cofres públicos que jamais mediram conseqüências para a irresponsabilidade de seus atos. Todos os dias são descobertos desvios e falcatruas da maior gravidade. Na CER - Companhia Energética de Roraima -, o presidente Belgerrac Batista, nomeado pelo governador Ottomar de Sousa Pinto (PTB), descobriu agora que 13 milhões de dólares, tomados emprestados à CAF - Corporação Andina de Fomento -, simplesmente não chegaram à conta da empresa. O valor corresponde à metade do total do empréstimo, de 26 milhões de dólares, depositado na conta única do estado, mas não repassado à CER, como deveria. Seria o caso de se colocarem os envolvidos na prisão. A elite brasileira vive cobrando sacrifício dos que trabalham, pregando a necessidade de culto a valores éticos e à decência, enquanto comete crimes inomináveis. Agindo como se não devesse a menor satisfação ao contribuinte, aos que se consomem para manter quadro caótico, estruturado na bandalheira. Recentemente, o ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf (PP), foi flagrado movimentando 364 milhões de dólares numa conta bancária na Suíça. E apesar de aquele país ter remetido à Justiça brasileira, toneladas de documentos comprobatórios, o cara-de-pau nacional se justifica sob a alegação de tratar-se de mera "perseguição política". Em Brasília, talvez no intervalo de uma de suas bebedeiras, o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) enviou Medida Provisória ao Congresso Nacional, concedendo status de ministro ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A MP objetiva evitar que Meirelles seja processado pela Justiça comum, já que é acusado de sonegação fiscal, remessa ilegal de divisas para o exterior e lavagem de dinheiro. A continuar em tal ritmo, melhor que se libertem todos os batedores de carteira e salafrários, outorgando, a cada um deles, mandato eletivo. Todos poderão, dessa forma, alegar que são vítimas de perseguição política. Nossa elite dirigente nada aprende com as lições da história. E só irão colocar as barbas de molho, quando a turba enfurecida, desencantada, mostrar-se disposta a fazer justiça com as próprias mãos. Email: [email protected]

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