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Figurões são presos em casa, ao romper da aurora

Muita gente acordou hoje (18/11) com homens fardados de preto e fortemente armados em suas portas. Era a Operação Faraó, deflagrada a partir das 6 horas, que levou para a cadeira seis dos oito responsáveis pelo desvio de R$ 31,684.343,95 das contas bancárias usadas para pagamento da folha de funcionários públicos do Estado. Todos estavam com prisão temporária decretada pela Justiça Federal de Roraima.


Muita gente acordou hoje (18/11) com homens fardados de preto e fortemente armados em suas portas. Era a Operação Faraó, deflagrada a partir das 6 horas, que levou para a cadeira seis dos oito responsáveis pelo desvio de R$ 31,684.343,95 das contas bancárias usadas para pagamento da folha de funcionários públicos do Estado. Todos estavam com prisão temporária decretada pela Justiça Federal de Roraima. Faraó é uma extensão da Operação Praga do Egito (Gafanhoto), realizada há exatamente um ano, novembro do ano passado, quando, entre outros, foram presos o ex-governador Neudo Campos e mais uma leva de deputados e ex-deputados estaduais. A Quadrilha Os presos na manhã de ontem foram os ex-secretários estaduais da Fazenda Roberto Leonel Vieira e Jorci Mendes de Almeida; o ex-Secretário do Tesouro do Estado, Jander Gener César Guerreiro; os sócios da NSAP (Norte Serviços de Arrecadação e Pagamentos Ltda), Oscar Maggi, Wanderlan Oliveira do Nascimento e Humberto Pereira da Silva, este último, preso em Manaus (AM). Até o fim da manhã faltava ainda serem presos pela PF o sócio da NSAP Edson Hispagnol e o ex-gerente da agência do Banco do Brasil Francisco Djalma Brasil de Lima. O superintendente regional para PF, José Francisco Mallmann, explicou que esses dois não foram encontrados. Caso eles não se apresentem, serão tidos como foragidos e serão procurados nos demais Estados. Os autos atestam que a prática dos crimes tiveram origem na autorização expressa dos ex-secretários da Fazenda e do Tesouro de Roraima para a movimentação das contas correntes responsáveis pelo pagamento dos funcionários públicos do Estado, sem qualquer prestação de contas ou fiscalização estadual. R$ 80,5 Milhões Segundo o que ficou apurado pelo Setor Técnico Científico (Setec) da PF, nas duas operações - Gafanhoto e Faraó -, um total de R$ 80,5 milhões foram surrupiados dos cofres estaduais a partir do início do segundo mandato do governo Neudo Campos, em 1999. Além das prisões, a PF efetuou apreensões de bens dos envolvidos. Na casa do ex-secretário Roberto Leonel Vieira foram apreendidos carros importados como uma Hilux, uma Toyota Corola, uma lancha e uma Blazer. Além disso, com os outros envolvidos foram apreendidos tratores, caminhões e outros equipamentos e objetos de alto valor pecuniário. Os presos foram indiciados pelos crimes de peculato (apropriação indébita praticada por funcionário público), falsidade documental, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra a ordem tributária e crime contra a ordem financeira. Se condenados, somadas as penas, cada um dos presos preventivamente poderá amargar até 45 anos de reclusão. Após prestarem termos de declaração na sede da PF, os presos foram removidos para a Cadeia Pública de Boa Vista, onde a Ala 5 estava previamente reservada para recebê-los. Ficarão ali à disposição da Justiça. Inicialmente, a prisão temporária é por apenas cinco dias, mas caso a PF sinta necessidade, poderá pedir a prorrogação desse prazo. A Operação Faraó foi coordenada pelo delegado regional executivo da PF em Roraima, Osmar Tavares de Melo, que trabalhou com o auxílio de 50 homens, sendo 20 deles lotados em outras superintendências e vieram ao Estado com o objetivo exclusivo de participar da operação. Curiosidade O superintendente da PF, José Francisco Mallmann, explicou que o sugestivo nome "Faraó" que batizou a operação ora deflagrada teve origem na Bíblia. É uma analogia aos supermandatários egípcios, que usavam o erário para benefício próprio, tal como ocorrera com os recursos públicos do Estado nestes últimos anos.

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