- 03 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal iniciou na manhã de hoje uma operação com 8 mandados de prisão com busca e apreensão contra mais envolvidos no desvio de dinheiro público do Estado de Roraima, escândalo que ficou conhecido como "caso gafanhoto". Conforme requerimento do MPF em conjunto com a Polícia Federal, as prisões são contra Roberto Leonel, Jorci Mendes, Jander Gener César Guerreiro - representantes da Secretaria de Fazenda do Estado de Roraima, Oscar Maggi, Wanderlan Oliveira do Nascimento, Humberto Pereira da Silva Filho, Edson Hispagnol - proprietários da empresa NSAP, responsável pelo pagamentos de funcionários fantasmas do Estado. No requerimeto com pedido de prisão , consta ainda o nome de Francisco Djalma Brasil de Lima - gerente do Banco do Brasil que autorizava transferência de valores de conta do Estado para empresa NSAP. Segundo as investigações realizadas pela força tarefa o "esquema gafanhoto" só foi efetivado por haver a formação de uma quadrilha composta por representantes do Estado de Roraima como secretários de Fazenda e coordenadores do Tesouro, além de funcionário do Banco do Brasil que viabilizou não apenas a movimentação irregular de dinheiro de conta do governo do Estado para pagamento de funcionalismo público, como permitiu saques exorbitantes na boca do caixa em nome de pessoas físicas. A quadrilha era composta, ainda, por sócios da empresa NSAP, que além de movimentarem a conta pública em proveito próprio, realizaram saques em seus próprios nomes. As investigações apontam que a NSAP não prestava contas do dinheiro público e não sofria qualquer fiscalização por parte do governo de Roraima, sendo que até junho de 2001 não havia qualquer documento comprobatório dos pagamentos efetuados a funcionários e que foram forjadas atas de incineração para justificar a inexistência de tais documentos, além de funcionar irregularmente como instituição financeira. As investigações apontam, ainda, que Roberto Leonel, Jorci Mendes e Jander Gener César Guerreiro, ex-secretários da Fazenda e e do tesouro do Estado respectivamente não fiscalizavam a NSAP, transferiam verba específica de convênios federais para contas públicas para pagamentos de salários, autorizavam expressamente a movimentação direta de dinheiro público por dirigentes da NSAP, sem qualquer fiscalização. Com relação a Francisco Djalma Brasil de Lima, então à época gerente do Banco do Brasil, as investigações apontam que o mesmo autorizava saques irregulares de dinheiro de conta do Estado na "boca do caixa" impossibilitando o rastreamento contábil e encobria diversas irregularidades na movimentação de tais contas. Em um dos depoimentos prestados a Polícia Federal consta que Djalma Brasil era visto com freqüência na empresa NSAP e que numa dessas visitas foi visto com um "bolo de dinheiro". O ex-gerente do Branco do Brasil é acusado também de ser sócio informal da NSAP. Em perícia realizada pela Polícia Federal a empresa NSAP movimentou de 2000 a 2003 o montante de 455 milhões de reais de contas do governo de Roraima. Junto com as prisões dos envolvidos no desvio de recursos públicos a Polícia Federal realiza a apreensão de bens e documentos. A prisão temporária dos envolvidos permitirá a conclusão do inquérito por parte da Polícia Federal que encaminhará o resultado ao MPF para denúncia dos envolvidos junto a Justiça Federal.