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CURTAS E GROSSAS - Por Aroldo Pinheiro

Boa Vista, anos sessenta. Zé Pinheiro tinha uma loja na avenida principal. Cidade pequena, comércio incipiente; ali se vendia de tudo. Naquele tempo não se tinha muito o que fazer. As pessoas perdiam longas horas assuntando; batendo papo. Tudo era motivo para uma prosa.


Boa Vista, anos sessenta. Zé Pinheiro tinha uma loja na avenida principal. Cidade pequena, comércio incipiente; ali se vendia de tudo. Naquele tempo não se tinha muito o que fazer. As pessoas perdiam longas horas assuntando; batendo papo. Tudo era motivo para uma prosa. Entrou, um freguês na loja do seu Zé, e deu-se o diálogo: "- Seu Pinheiro, tem correia pra forrageira?" "- Temos. Temos correias do jeito que você pensar. Qual o número?" "- Ah, seu Zé..., num sei..." "- E o tamanho..., a medida..., qual é?" "- Puxa, seu Zé, também num sei..." "- Cadê a velha?" "- Ah, seu Zé, tá lá em casa. Agora tá muito bem... Ela já foi operada...; a saúde dela tá tinindo! Se Deus quiser ela vem pra procissão no dia 20" ********************************** Seu Isaac, judeu, tinha uma mercearia bem perto do Colégio Euclides da Cunha. Entre secos e molhados, vendia produtos específicos para os alunos daquele educandário: papéis-almaço (com pauta e sem pauta), lápis, borrachas, tabuadas, cadernos, biscoitos, chocolates, bombons, etc... Dona Yamile, esposa do velho turco, senhora muito bela e simpática, tratava muito bem a todos; seu Isaac, ao contrário, era mal humorado, sisudo, tipo: "não quer comprar; vá embora". Um garoto entrou na loja e pediu: "- Seu Isaac, me dê dez cruzeiros de bombom!?" O velho pegou o dinheiro da mão do menino, rodou a bomboneira, e, aleatoriamente, pegou um punhado de balas, colocou-as sobre o balcão e começou a contar. O garoto interferiu: "- Desse não, seu Isaac...; eu quero Mirabel..." O velho empurrou a quantidade já separada em direção ao garoto, exclamando: "- Você vai levar é desse aqui... Menino não tem direito de exigir nada, não!" *********************************** A CASA DAS DOZE PORTAS, ficava na esquina da Av. Jaime Brasil com a Rua Bento Brasil. Três irmãos tocavam a loja: Zeca, João e Beto. Este último, quarentão, solteiro, grandalhão, gordo, careca; parecia um Buda; era também muito brincalhão e espirituoso. Perto da CASA DAS DOZE PORTAS morava a professora Alfa, já beirando os trinta. Na década de sessenta uma mulher que passasse dos vinte e se mantivesse solteira era considerada moça velha: "Ficou no caritó. Ficou pra titia" Uma tarde Alfa saía de casa rumo ao colégio onde lecionava; Beto, sentado na calçada, fumando seu cigarrinho, camisa aberta, suarento, ao vê-la passar, exclamou: "- Alfa, já pensou se eu casasse com você um dia...? Nosso primeiro filho ia se chamar Alfabeto!" *********************************** Jorginho, candidato à eleição para vereador, encontrou seu amigo Roberto e aproveitou para pedir voto: "- E aí, meu amigo, tudo bem? Sabes que eu sou candidato nesse pleito, né? Posso contar com o teu voto?" "- Claro, Jorginho... Acho que você já fez tudo o que podia fazer de ruim... Agora só pode sair alguma coisa boa..." ********************************** Dois amigos sentados à mesa de um barzinho; de repente passa-lhes perto um mulheraço de quase dois metros de altura, dando origem ao diálogo: "- Porra, tu viu...? Que mulher alta!!!" "- É, cara..., parece a Transamazônica..." "- Ué..., não entendi!" "- Comprida, torta, mal acabada e sem futuro...!"

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