- 05 de janeiro de 2026
Brasília - Entra governo, sai governo e a roubalheira continua. Não se consegue dar um basta nos desvios. Ninguém vai para a cadeia. Quando acontece a prisão de algum figurão, a detenção não vai além de uma semana. E tudo volta rapidamente ao que se considera "normalidade" na anormalíssima situação brasileira. Os detentores de mandatos, acusados de roubo e patifaria, são premiados com relatorias, cargos importantes e, sequer, impedidos de disputar outros cargos eletivos, caso fiquem sem mandato. A roubalheira acontecida dentro do Incra, ainda hoje, parece já milenar. E ninguém toma a menor providência. Na gestão do entreguista lesa-pátria FHC (1995-2003), o roubo em quase todos os órgãos era escancarado, à luz do dia e nada acontecia. O próprio FHC, envolvido em falcatruas das mais cabeludas, colocou parentes diretos, como seu filho mais velho, dentro da bandalheira. Nunca se investigou coisa alguma a respeito das ações praticadas por Paulo Henrique Cardoso, nos benefícios irregulares com os quais foi contemplado. Pessoa denunciada em inomináveis atos de banditismo no plano federal e envolvido até mesmo na doação da Companhia Vale do Rio Doce - CVRD. Que crime revoltante! Nesta segunda-feira, em reportagem assinada por Josias de Souza, a Folha de S. Paulo denunciou amplo esquema de gatunagem dentro do Incra, que vai seguindo curso normal dentro da gestão petista. Mas o PT espera a poeira baixar e segue tranqüilo e calmo como se nada tivesse a ver. Mas, o que se esperar de um partido que impede toda e qualquer instalação de CPI? Que fez vistas grossas aos desmandos ocorridos sob o nariz do ministro-chefe da Casa Civil, Zé Dirceu(SP), quando seu braço direito, Waldomiro Diniz, corrompia e se deixava corromper? Que impediu a instalação da CPI dos Bingos, depois de terem sido recolhidas todas as assinaturas necessárias, na manobra de não se indicarem os nomes dos integrantes? O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), artífice desse favor ao PT (a não instalação da CPI), espera agora a recompensa, na aprovação de emenda que permita sua reeleição à Presidência daquela Casa do Congresso. E logo quem, Sarney, a quem o hoje Dom Luís Inácio só chamava de vil, abjeto e ladrão. Nos dias atuais, vivem de mãos dadas. Interessante é observar que os mesmos ladrões, os que vivem oferecendo maus exemplos (e não são punidos), são os que buscam se posicionar de forma mais convincente, discursando contra a iniqüidade e contra as mazelas que estimulam. E a classe média, sem noção de nada, manipulada pela imoralidade da Rede Globo, organiza passeatas, veste-se de branco e, desejosa de dar um basta à violência nas ruas, grita chavões. Maior violência é a praticada pelo governo contra a nação brasileira e não se enxerga. Dia desses, Dom Luís Inácio, na quadra da Portela (Escola de Samba, RJ), suado, usando chapéu panamá, abraçado a Zeca Pagodinho (aquele que fechou contrato publicitário com uma marca de cerveja e mais tarde apareceu bebendo outra, depois de embolsar milhões de reais da concorrente), ressuscitou um bordão do governo militar e afirmou que "ninguém segura este país". Da forma como caminha, ninguém irá segurar é a ruptura institucional que mais e mais dá a impressão de se impor. Num país onde os figurões pintam e bordam, roubam de forma impune e desmoralizam as instituições todos os dias. Email: [email protected]