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COMBUSTÍVEL - Preço do álcool subirá mais de 10% em Brasília

As previsões dos donos de postos de combustível do Distrito Federal são ruins para o consumidor. No final de dezembro, o preço do litro do álcool deve bater os R$ 2,00 e o da gasolina R$ 2,40, valores até 11% maiores que os atuais. A projeção é de José Carlos Ulhôa Fonseca, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sinpetro).''Minha expectativa é péssima. O país está nas mãos dos usineiros. Os custos dos produtores estão fechados em uma caixa-preta'', critica Fonseca.


Arnaldo Galvão Da equipe do Correio As previsões dos donos de postos de combustível do Distrito Federal são ruins para o consumidor. No final de dezembro, o preço do litro do álcool deve bater os R$ 2,00 e o da gasolina R$ 2,40, valores até 11% maiores que os atuais. A projeção é de José Carlos Ulhôa Fonseca, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sinpetro).''Minha expectativa é péssima. O país está nas mãos dos usineiros. Os custos dos produtores estão fechados em uma caixa-preta'', critica Fonseca. Além da vinculação do preço dos dois combustíveis, há a pressão da cotação do petróleo no mercado internacional. O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, acredita que se o governo insistir em não repassar os aumentos do petróleo à gasolina, pode haver uma explosão de preços. A estatal, no entanto, deve anunciar até o final desta semana mais um reajuste do produto. ''Estão apenas adiando a inflação para 2005'', critica. O diretor do CBIE explica que o preço do álcool é livre e sobe pelo consumo maior e pelo aumento das exportações. O produto estava barato e as vendas aumentaram com a chegada, em março de 2003, dos carros com motores flexíveis - funcionam com gasolina, álcool ou com a mistura entre eles. Na avaliação do presidente do Sinpetro, há uma demanda dolarizada por álcool e o governo incentiva as exportações. Ele teme que o consumo de 15 bilhões de litros por ano no exterior desequilibre o mercado. '' O governo tem de tomar medidas severas para garantir estoques e até subsidiar o consumidor'', recomenda Fonseca. Além disso, no Distrito Federal há suspeita de lucro abusivo na venda do combustível. Leonardo Bessa, Promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) um estudo sobre os preços cobrados nos postos da capital. A iniciativa do MPDFT foi provocada por uma reportagem publicada pelo Correio em 19 de setembro, que revelou que os postos do Distrito Federal estão vendendo o litro do álcool com lucro bruto 83,5% superior à média nacional. ''Não há cartel nem abuso dos postos no DF'', defende o presidente do Sinpetro, José Carlos Fonseca. Ele explica que os custos de instalação das revendas são dez vezes maiores que os de Goiás, por exemplo. Além disso, o dirigente sindical informa que os salários pagos aos funcionários são maiores. Oscilação Segundo o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, os preços nominais do álcool nas usinas estão mais baixos que os de um ano atrás. Para a Unica, em março o preço tinha registrado uma queda de 50% e hoje está se recuperando. ''As pessoas têm muita dificuldade para entender que no mercado de álcool os preços são livres. A regra do jogo é oferta e procura'', diz Carvalho. Carvalho, no entanto, defende a manutenção de estoques reguladores para equilibrar essa variação, mas alerta para o fato de que o preço do álcool está ligado ao da gasolina, que tem 25% do combustível feito com a cana-de-açúcar. Ele alega que houve aumento no consumo e que o fim da safra da cana-de-açúcar no Centro-sul do país contribui para a alta dos preços. -------------------------------------------------------------------------------- Sem intervenção O governo não vai intervir no mercado do álcool para reduzir o preço do produto, que vem aumentando substancialmente nas últimas semanas. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que está atento ao problema e se for necessário, vai negociar com os empresários. ''A situação é absolutamente tranqüila e está dentro da normalidade'', afirmou. O ministro explicou que os preços cobrados pelos usineiros estão dentro do acordo firmado entre o governo e os empresários no começo do ano passado. Por esse acordo, o preço do álcool anidro nas usinas não poderia ultrapassar R$ 1 por litro. Excesso Na sexta-feira, o álcool anidro (sem água) adicionado à gasolina, foi negociado a R$ 0,9599 o litro nas usinas de São Paulo, segundo o levantamento semanal do Centro do Estudos Avançados em Economia Aplicado (Cepea/Esalq/USP). Esse valor representa mais do que o dobro do preço registrado no final de abril, quando a safra atual estava no começo e o litro era negociado a R$ 0,4582. Apesar desse aumento tão expressivo, o diretor do Departamento do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan Filho, não acredita que o preço do álcool está subindo de forma explosiva. Para Bressan, a safra 2004/2005, estimada em 330 milhões de toneladas no Centro-Sul e 60 milhões no Nordeste, é ''suficiente'' para atender à demanda. Ele diz, ainda, que o Brasil tem grandes gargalos logísticos - deficiências em armazenagem, transporte e portos - que impedem um aumento rápido das exportações de álcool, o que poderia resultar redução da oferta no mercado interno. Na avaliação de Bressan, se o preço do álcool ficar próximo do da gasolina, ''vai dar um tiro no pé''. Isso porque a maior vantagem do álcool é ter preço 40% menor que o da gasolina. Ele também informa que o governo não vai aumentar os R$ 500 milhões destinados à financiar a formação de estoques de álcool em 2005. (AG)

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