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MARASMO PERMANENTE - Márcio Accioly

O ex-senador e candidato derrotado à prefeitura de Macapá, Sebastião Rocha (PDT-AP) está no xilindró. Não se sabe por quanto tempo, mas está preso. A Polícia Federal colocou sua ex-excelência na cadeia, sob a acusação de vários crimes: peculato, desvios de verbas e tráfico de influência, entre outros. Ele é suspeito de participar de esquema que pode ter desviado 103 milhões de reais de obras públicas.


Brasília - O ex-senador e candidato derrotado à prefeitura de Macapá, Sebastião Rocha (PDT-AP) está no xilindró. Não se sabe por quanto tempo, mas está preso. A Polícia Federal colocou sua ex-excelência na cadeia, sob a acusação de vários crimes: peculato, desvios de verbas e tráfico de influência, entre outros. Ele é suspeito de participar de esquema que pode ter desviado 103 milhões de reais de obras públicas. Dia desses, sua excelência estava fazendo leis, representando o Amapá e posando de autoridade. Seu caso não é o primeiro e não será o último. No dia 5 de agosto deste ano, o também ex-senador Ernandes Amorim foi preso em sua residência, no município de Ariquemes (RO), acusado de integrar quadrilha que desviou 18 milhões de reais, contrabandeou minérios, fez grilagem de terras e traficou influência. Já foi solto. Na Câmara, acusado de vários crimes, o deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA) desfila impunemente, com ligações estreitas dentro do Palácio do Planalto em articulações políticas e negociação de bastidores. No Senado, Romero Jucá Filho (PMDB-RR) foi recentemente acusado de desviar cerca de 20 milhões de reais da prefeitura do Cantá, município roraimense. Ele é o relator-geral do Orçamento. No mesmo estado de Roraima, cuja ação da Polícia Federal desmontou pesado esquema de desvio do dinheiro público, no caso dos gafanhotos (pessoas contratadas pela administração estadual e que entregavam quase todo o salário ganho a figurões dos vários escalões), a impunidade vai alimentando e engordando a criminalidade. Na última semana, descobriram esquema semelhante que contava com a participação de servidores da Secretaria de Saúde. A deputada estadual Marília Pinto (PSDB), em pronunciamento efetuado na Assembléia, pediu o afastamento do titular da pasta, Altamir Lago, mas não encontrou eco forte às suas palavras. Na próxima terça-feira, em julgamento já marcado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deverá cair não apenas o secretário, mas também o próprio governador, Flamarion Portela (sem partido), que já se encontra com o diploma eleitoral cassado por aquele Tribunal desde agosto último. O segundo colocado, Ottomar Pinto (PTB), deverá ter seu diploma expedido e assumirá imediatamente o posto. Tudo cai na galhofa: não se confiscam os bens surrupiados, nem se impõe pena de prisão merecida. Somente os ladrões de galinhas parecem condenados a sofrer punição. Os exemplos vindos de cima são os piores imagináveis. Na área federal, os acontecimentos registrados na esfera petista confirmam a tendência de continuísmo sempre detectada. Waldomiro Diniz continua solto (ex-braço direito do ministro-chefe da Casa Civil, Zé Dirceu), não se fala mais no crime de Santo André (quando o prefeito Celso Daniel foi morto num mal esclarecido ardil), e até mesmo Paulo Maluf passou a ser bem-vindo, na aliança pela prefeitura de São Paulo. Assim, o quadro só tende a piorar. Email: [email protected]

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