- 05 de janeiro de 2026
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, está em coma e seu quadro é grave nesta quinta-feira, quando sua saúde se deteriorou, disseram assessores não-identificados. Autoridades palestinas na Cisjordânia negaram o estado de coma. "Não é verdade de maneira alguma que Arafat entrou em coma", disse Tayeb Abdul Rahim, um importante assessor, a repórteres na cidade de Ramalá. O ministro palestino Saeb Erekat disse ter falado com a mulher de Arafat, Suha, que lhe contou que o quadro de seu marido permanece estável, embora grave. Arafat sofreu um súbito e preocupante agravamento de seu estado de saúde na madrugada de quarta-feira para quinta-feira quando ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital militar na França. Nenhum boletim médico oficial foi divulgado sobre o estado de saúde do líder palestino até o momento. Em função do agravamento, o Comitê Central do Fatá e o Comitê Executivo da Organizaç~ção para a Libertação da Palestina (OLP) se reúnem nesta quinta-feira em Ramalá em caráter extraordinário. Segundo assessores, os médicos continuavam fazendo testes com o líder palestino, de 75 anos, levado para o hospital francês na última sexta-feira. Ainda não se sabe qual problema está afetando Arafat, apesar de a hipótese de leucemia ter sido descartada. "Novos testes foram realizados, entre os quais uma endoscopia. Nada foi encontrado", afirmou um assessor. O dirigente foi hospitalizado às pressas devido a fortes dores no estômago, diarréia e vômitos. Na terça-feira, os médicos franceses disseram que Arafat estava respondendo ao tratamento. Segundo assessores, porém, o líder palestino poderia continuar no hospital militar de Percy, localizado nos arredores de Paris, por várias semanas. Leila Shahid, enviada permanente do governo palestino à França, disse horas antes que o estado de saúde do dirigente havia sofrido um revés e que os médicos tentavam determinar a causa disso. Assessores de Arafat reforçam que o líder palestino continua no comando. Temporariamente, Arafat delegou poderes para dois homens ¿ o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, e Mahmoud Abbas, vice-líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Arafat, amado pela maior parte dos palestinos e odiado pela maioria dos israelenses, ainda não indicou nenhum sucessor. A sua doença alimentou temores de que uma situação caótica se instale nos territórios palestinos, palco de um levante iniciado quatro anos atrás. De toda forma, a eventual morte do presidente da ANP, considerado por Israel e pelos EUA um obstáculo à paz, mudaria o cenário das negociações no Oriente Médio. Redação Terra