- 05 de janeiro de 2026
da Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u78094.shtml O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, John Kerry, 60, admitiu durante discurso, nesta quarta-feira, a reeleição do presidente dos EUA, George W. Bush, 58. "Nós não podemos ganhar essa eleição", disse Kerry, nitidamente emocionado. Pouco antes, a chefia de campanha de Kerry disse que o democrata havia ligado para comunicar por telefone, direto a Bush, o reconhecimento da vitória do republicano. "Nós [Kerry e Bush] conversamos sobre o perigo da divisão em nosso país e sobre a necessidade, a necessidade desesperada, de unidade", disse ele, que acrescentou: "Hoje eu espero que nós possamos começar a cura". Segundo assessores da Casa Branca, em resposta ao telefonema, Bush disse que Kerry era um "oponente admirável". Edwards O vice de Kerry, John Edwards, que abriu o discurso, agradeceu aos eleitores. "Sua causa [a da população dos EUA] é a nossa causa. Nós sempre ficaremos ao lado de vocês, disse Edwards. "John Kerry é um grande americano... tenho orgulho de trabalhar com este homem", acrescentou. Edwards disse que os democratas trabalharão pela América para sempre, que estarão firmes até essa luta acabar." A atitude de Kerry, frente a uma participação recorde do eleitorado americano [calcula-se que entre 58% e 60% dos cerca de 150 milhões de eleitores votaram neste ano] põe fim ao que poderia ser uma nova briga judicial pela Presidência. Está previsto que Bush faça um pronunciamento às 18h [horário de Brasília]. No momento em que Kerry concedeu a vitória a Bush, o republicano contava com 254 votos no Colégio Eleitoral --um candidato necessita de 270 para eleger-se--, contra 252 do democrata. Com os 20 votos do Estado de Ohio, após Kerry admitir sua derrota, Bush chega a 274 votos. Contagem incompleta A reeleição de Bush chega sem que três Estados tivesse determinado oficialmente seus resultados: Iowa [que tem sete votos no Colégio Eleitoral e parou contagem por problemas técnicos], Novo México [que tem cinco votos no Colégio Eleitoral e anunciará seu resultado amanhã] e Ohio [que conta com 20 votos no Colégio Eleitoral e era a chave de decisão da eleição, devido a 250 mil cédulas "provisórias"]. Pouco antes do telefonema de Kerry, a Casa Branca anunciara a confiança "total" na vitória do republicano, por meio de seu chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew Card. "Estamos convencidos de que o presidente Bush foi reeleito, além de garantir a maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado", disse Card. Assessores de campanha de Kerry, no entanto, disseram que não concederiam a vitória no Estado de Ohio até que todos os votos fossem contados. "Foi uma longa noite, mas esperamos quatro anos por essa vitória, podemos esperar mais uma noite", disse o candidato democrata à vice-Presidência, John Edwards. "Vamos lutar por cada voto." O secretário de Estado de Ohio, Ken Blackwell, disse que a contagem das cédulas provisórias poderia levar ainda 11 dias. Em 2000, Bush venceu em Ohio, com 49,97% dos votos. Cédulas "provisórias" O Estado de Ohio [que representa 20 votos no Colégio Eleitoral] tornou-se o grande fator de disputa entre Bush e Kerry na corrida à Casa Branca. O impasse se deu por causa de 250 mil cédulas provisórias --emitidas aos eleitores que tiveram a validade de seus registros contestada-- que se transformaram na chave definitiva para encerrar a eleição e dar nome ao novo presidente dos EUA. A disputa acirrada em Ohio remete ao ocorrido no Estado da Flórida em 2000, mas desta vez a vantagem de Bush é maior --ele tem cerca de 140 mil votos a mais que Kerry. Para vencer, um candidato precisa ter 270 votos no Colégio Eleitoral. Com exceção da Pensilvânia e da Flórida, a maioria dos resultados dos demais Estados [incluindo o Distrito de Colúmbia] já era esperada, de acordo com pesquisas de intenção de voto realizadas anteriormente. Com cerca de 99% dos votos apurados no Estado de Ohio, os republicanos contam com 2.794.346 de votos, o equivalente a 51% do total. Já os democratas têm 2.658.125 ou 49% dos votos, segundo o "USA Today". Fonte: Foto Agência Reuters