- 05 de janeiro de 2026
Edersen Lima, Editor O assunto não é novo, mas pela falta de melhor discussão, chega a ser oportuno abordá-lo. Quem ler o edital do concurso público para a Polícia Federal, já realizado em Boa Vista, poderá observar uma exigência de praxe de suma importância para a corporação: a investigação social, que nada mais é que um levantamento sobre a vida do candidato aprovado, o que há contra eles já decidido ou em andamento na Justiça, ou se há algo contra a sua idoneidade moral. O procedimento é de todo aprovado, até para que não se ocorra casos como acontecido há três meses quando um servidor da Secretaria de Segurança de Roraima, foi preso em Manaus, acusado de vários crimes. O governo bancava um procurado da Justiça. Pelo edital, o candidato não pode estar respondendo ou ser indiciado em inquérito policial, não pode estar envolvido como autor ou respondendo ação penal ou procedimento administrativo-disciplinar. Não pode ter vício de embriaguez, usar drogas então nem se fale, e outras exigências que possam atingir a sua idoneidade moral. Tais exigências têm encontrado apoio irrestrito da sociedade e de autoridades, daí, uma questão no ar: Como trata-se de cargo público como outro qualquer, por que não haver também investigação social para a posse (ou diplomação) em cargos eletivos? O sujeito que quiser disputar cargo de vereador, senador, prefeito ou governador teria também que passar por esse levantamento. Quem teria dúvida de que o joio seria separado do trigo, pelo menos, em grande parte? Para ser mais claro, dessa forma, no mínimo, a incidência de "bandidos" que utilizam a imunidade de um cargo eletivo como blindagem para os crimes cometidos seria bem menor. No Rio de Janeiro, 30% dos candidatos nestas eleições tinham pendências judiciais. Pode? Que tipo de vereadores e prefeitos foram eleitos, lá? Apesar da legislação atual aponte para que a imunidade parlamentar não vale para crimes cometidos antes da posse, de qualquer modo, não seria melhor evitar que pessoas com ficha suja sejam impedidas de assumir cargos de forma igual àqueles que nada constam nos registros policiais e administrativos/disciplinares, como no caso do concurso da Polícia Federal? Se isso for adotado, os políticos serão os primeiros a defender agilidade da Justiça, o que seria muito bom para toda a sociedade.