- 05 de janeiro de 2026
Brasília - Denúncia das mais vigorosas e vergonhosas, além de extremamente grave, foi formulada pelos deputados federais Paulo Lima (PMDB-SP), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e Luciano Zica (PT-SP), ouvidor da Câmara. Eles disseram que existe um esquema dentro da Câmara dos Deputados para "extorquir empresários e pessoas investigadas por CPIs ou pelas comissões permanentes". Paulo Lima aprofundou a revelação, ao afirmar ter "todos os nomes e os dados de dez deputados federais que teriam tentado extorquir empresários investigados pela CPI dos Combustíveis". Na manhã da quarta-feira (26), a Câmara instalou comissão de sindicância, composta por cinco parlamentares, para investigar denúncias contra o deputado André Luiz (PMDB-RJ). Ele é acusado de tentar extorquir o bicheiro Carlinhos Cachoeira que gravou a conversa e entregou à revista Veja. Na gravação, o parlamentar solicita 4 milhões de reais a Cachoeira, dinheiro que seria dividido entre 40 outros deputados que votariam contra o relatório. Comprova-se, dessa forma, a existência de uma quadrilha dentro do Poder Legislativo Federal. Luciano Zica, inclusive, declarou ao jornal Folha de S. Paulo que "infelizmente, a sensação que fica é a de que (a quadrilha) existe". E agora? Como explicar essa história de democracia e de representação popular? Para que serve o Legislativo, afinal? Os homens passam e as instituições ficam. É preciso que se opere no sentido de se sanear os órgãos públicos para que não haja a temida ruptura institucional. E o que significa tal ruptura? Descrédito total, desobediência generalizada. Nossas instituições se encontram tão fragilizadas, tão sem crédito que qualquer dia desses acontece um incidente bobo e a população corre para as ruas em busca de fazer justiça com as próprias mãos. Não há punição, não existe punição para os figurões. O caso Waldomiro Diniz, braço direito do ministro-chefe da Casa Civil, Zé Dirceu, continua por aí, insepulto, estimulando a bandalheira. Os fatos são cevados e alimentados na impunidade. Eles se relacionam e se interligam. O governo Dom Luiz Inácio, que iria supostamente pôr ordem no país, mergulhou na mesmice e gerou novos escândalos, causando frustração e apatia. A prepotência, o despotismo vicejam na impunidade. Na cidade de Japira, nordeste do Paraná (a 307 km de Curitiba), o prefeito Wilson Ronaldo Santos (PSDB), revoltado com a derrota do seu candidato, demoliu o único hospital do município, em descabida retaliação. Jogou dinheiro público fora e a população espera que se tomem providências. A administração federal petista não passa de espécie de terceiro mandato de FHC. A entrega do país continua, a submissão aos interesses estrangeiros é a mesma. Os Ministérios da chamada área política são vendíveis. Entregues como moeda de troca, barganha partidária na compra de votos dentro do Congresso Nacional. As instituições se corroem a olhos vistos. Enquanto isso, a área econômica é inegociável. Está sob a esfera dos EUA. Os norte-americanos dão as cartas e ditam as normas. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, é apenas um bibelô. Quem manda mesmo é Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, em tese um seu subordinado. A nação inteira se escraviza para pagar juros de uma dívida externa interminável que suga todos os nossos recursos. É preciso que se dê alguma tintura no quadro geral e se punam autoridades que vivem transgredindo às leis. Que se faça isso ou, então, que se libertem os chamados integrantes do crime organizado. Seria uma forma de se empregar a Justiça, promovendo-se a igualdade. Email: [email protected]