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ROGAI POR NÓS - Márcio Accioly

Como se sabe, o Brasil é governado por bandidos. Existem aqueles que assaltam nos sinais de trânsito, matam nas esquinas de nossas cidades, mutilam e destroem com as chamadas balas perdidas e dominam cidades inteiras como o Rio de Janeiro. Quando se consegue escapar de tais meliantes, eis que se percebe ser impossível ficar livre dos que se encontram à frente do Estado. E haja superávit primário e entrega total de nossos recursos.


Brasília - Como se sabe, o Brasil é governado por bandidos. Existem aqueles que assaltam nos sinais de trânsito, matam nas esquinas de nossas cidades, mutilam e destroem com as chamadas balas perdidas e dominam cidades inteiras como o Rio de Janeiro. Quando se consegue escapar de tais meliantes, eis que se percebe ser impossível ficar livre dos que se encontram à frente do Estado. E haja superávit primário e entrega total de nossos recursos. Esses últimos, que muitas vezes passam anos no Legislativo, elaborando leis que lhes permitam escapulir de qualquer punição, enriquecem a olhos vistos, esbanjam recursos cuja origem não justificam, confundem o particular com o público e integram aquela categoria de cidadãos cuja observação genial quem melhor efetuou foi Aparício Torelli: "- No Brasil, a maioria dos homens que está na vida pública deveria estar na privada". Quem melhor encabeça o grupo de salafrários, criminosos insensíveis e saqueadores dos cofres públicos é o ex-prefeito da capital paulista, ex-deputado federal e ex-governador daquele estado, Paulo Salim Maluf. Ele representa a fina flor da impunidade, proeminência da pouca-vergonha, símbolo inconteste do que há de mais despudorado em termos de cara-de-pau. Tudo mais que existe e possa existir se configura unicamente como acessório. Flagrado de forma inapelável na CPI do Banestado (e a própria CPI já seria capaz de dar origem a uma outra CPI, apurando ações cometidas pelo seu relator, deputado federal José Mentor, PT-SP), Maluf tem negado sistematicamente, apesar de irrefutáveis provas, qualquer participação na remessa de divisas para o exterior. O dinheiro é fruto de obras superfaturadas ao longo de sua gestão no executivo da Capital. Em depoimento prestado ao Ministério Público de São Paulo, conforme lembrou o jornalista Mauro Braga, na sua coluna diária da Tribuna da Imprensa (RJ), dois ex-diretores da Construtora Mendes Júnior expuseram o esquema ligado ao ex-prefeito, mostrando como foram desviados cerca de 550 milhões de reais dos cofres públicos, durante a construção da Avenida Águas Espraiadas. Cobrava-se propina em tudo: "Maluf levava 20%, engenheiros, fiscais e diretores da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) pediam 17%" e, dessa forma, estava montada a administração malufista, no depoimento prestado pelo ex-diretor financeiro da Mendes Júnior, Simeão Damasceno de Oliveira. Grande parte das obras contratadas (subcontratadas pela Mendes Júnior com outras firmas prestadoras de serviços), sequer foi realizada. O ex-diretor se encontra sob proteção do MP, coisa que nada significa, pois quando se deseja eliminar alguém que esteja incomodando, nada impede. Basta ver o caso do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel (Santo André), cujo principal envolvido (Celso Gomes da Silva), foi solto, depois de ameaçar revelar tudo que sabia e incomodar a vida de muita gente graúda dentro do PT. Várias testemunhas desse crime já foram também assassinadas. O fato é que Maluf hipotecou apoio à reeleição de Marta Suplicy (PT) em São Paulo. O que se comenta é que por trás disso estaria um acordo no sentido de se pressionar setores do Ministério Público para aliviar a pressão exercida sobre o astuto larápio. A adesão, no entanto, revelou-se mais prejudicial do que se esperava, pois a população já não engole tanta bandalheira e Marta está caindo. Mas, continuamos à deriva, sob o jugo de bandoleiros e não nos resta saída. O remédio é esperar a explosão que se avizinha. Email: [email protected]

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