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Política Econômica - Bancos subirão juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne amanhã e quarta-feira para definir os rumos da política de juros do país nos próximos 30 dias. Ainda que haja um consenso no mercado de que a taxa básica (Selic), que está em 16,25% ao ano, vai subir pelo menos 0,25 ponto percentual, a expectativa é grande.


Vicente Nunes Da equipe do Correio O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne amanhã e quarta-feira para definir os rumos da política de juros do país nos próximos 30 dias. Ainda que haja um consenso no mercado de que a taxa básica (Selic), que está em 16,25% ao ano, vai subir pelo menos 0,25 ponto percentual, a expectativa é grande. Sobretudo no Palácio do Planalto, que já montou estratégia junto à base aliada para rebater as possíveis críticas à ação do Copom. Semana passada, na reta final das eleições municipais, o governo enfrentou o desgaste de empurrar à população a primeira parcela do aumento dos combustíveis que deve se estender pelas próximas semanas. O impacto do aumento da Selic será imediato no bolso dos consumidores. Os bancos já estão preparados para divulgar as novas tabelas de juros para o cheque especial, o crédito pessoal e o crédito direto ao consumidor (CDC) tão logo o Copom anuncie a sua decisão. Esse movimento foi antecipado há duas semanas ao Correio pelo presidente-executivo do Banco HSBC, Emílson Alonso. ''Se a Selic subir, não restará outra alternativa ao sistema financeiro a não ser ajustar suas tabelas de juros para cima'', ressaltou. Alerta semelhante foi feito pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. A alta vai acontecer no período de maior demanda por crédito - as festas de fim de ano. Alta iminente Segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, mesmo com os índices de inflação momentaneamente em queda, a alta da taxa básica de juros é iminente. Na sua avaliação, o Banco Central precisa garantir que os índices de preços convirjam para os objetivos inflacionários de 2005. Como o governo optou por uma meta central muito apertada, de apenas 4,5%, e todas as estimativas apontam para um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo de 6%, os juros altos funcionarão como uma espécie de trava para futuras remarcações da indústria e do comércio. Mas a margem de manobra do BC é pequena, ressaltou a economista Renata Azevedo, da Arbor Gestão de Recursos. É que 30% do IPCA do próximo ano estão comprometidos com o aumento dos preços administrados pelo governo. Ou seja, dos 4,5% de meta para o IPCA em 2005, pelo menos 2,16 pontos percentuais já estão dados, de acordo com a pesquisa semanal Focus do BC. Na média, segundo o boletim, as tarifas públicas vão subir 7,2% no ano que vem. ''Os juros só agem sobre os preços livres. E eles terão que aumentar muito pouco para que a inflação fique dentro das metas - o teto é de 7%'', explicou Renata. Conservadorismo Para Robson Pacheco de Souza, consultor em planejamento estratégico e financeiro, o aumento dos combustíveis anunciado na semana passada (leia texto abaixo) pouco vai afetar a inflação deste mês e a de novembro. O problema é que novos reajustes da gasolina e do diesel terão que vir para ajustar os preços da Petrobras à alta do petróleo no mercado externo. Não bastasse isso, o BC terá que lidar com novas pressões sobre os preços da indústria, uma vez que as commodities (mercadorias com cotação internacional) não agrícolas, como o aço, continuam com os preços em elevação. Na opinião de Nuno Câmara, economista do Dresdner Bank em Nova York, o Copom deverá ser muito conservador para reverter, o mais cedo possível, as expectativas negativas que rondam a economia. ''Pelas nossas análises, a Selic deveria subir 0,5 ponto percentual agora. Com isso, os custos para a economia seriam menores mais à frente, já que a reversão do pessimismo e o controle efetivo da inflação permitiriam a queda mais rápida dos juros'', disse. Mesmo apostando em um aumento de 0,25 ponto na Selic, o economista-chefe do Banco Credit Lyonnais, Dalton Gardiman, afirmou que é preciso dar um desconto nas preocupações com o aumento dos combustíveis. Segundo ele, num primeiro momento, a alta é inflacionária. Mas, numa segunda etapa, os combustíveis mais caros acabam contribuindo para a reversão dos preços, pois, ao absorverem parcela maior da renda da população, inibem o consumo. No entender do economista Carlos Thadeu Filho, do Grupo de Conjuntura Econômica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a economia perdendo força por causa do aumento dos combustíveis, haverá espaço para apenas mais um aumento da Selic neste ano, de 0,25 ponto na próxima quarta-feira. Essa alta, por sinal, já está precificada no mercado futuro de juros, conforme informou Francisco Carvalho, responsável pela área de câmbio da Corretora Liquidez.

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