- 05 de janeiro de 2026
Edersen Lima, Editor Brasília - A maior aberração eleitoral é o voto obrigatório. O cidadão tem que votar ou justificar por que não o fez. Tem que cumprir essa obrigação de, em muitos casos, dar o voto diante de tantas discrepâncias, absurdos, contradições e descaramentos, como a união providencial entre aqueles que há dois anos eram inimigos declarados, que duelaram em lados opostos, medindo forças e decibéis em afrontas, ofensas e denúncias, e hoje, só não se beijam na boca, porque as pesquisas não pedem. Pedir voto ético diante de tanta "libidinagem" política se torna difícil quando os protagonistas encenam folhetins distintos a cada eleição, como é o caso mais recente de composição política entre o governador Flamarion Portela e o senador Romero Jucá, que vale o apoio do governo à candidatura de Teresa Jucá. Como o eleitor, o cidadão roraimense vai entender que há exatos dois anos, Flamarion era acusado por Romero Jucá, de tudo quanto é tipo de acusações; denunciado de cúmplice do esquema gafanhotos e de ser incapaz de assumir as responsabilidades de governador, e hoje é reverenciado como um salvador? Então, nesses dois anos foi Flamarion que passou a ser competente, honesto, honrado e digno para Romero Jucá? Ou foi Romero Jucá que passou de adversário político inescrupuloso a amigo íntimo de bom coração e confidente de Flamarion? Ou será que isso é mais um caso de dupla falta de vergonha na cara? Como Flamarion olha nos olhos das pessoas mais importantes da sua vida depois de tudo que Romero o acusou em 2002 e agora estão aliados? Em nome do quê ele justifica a elas tanto desprendimento? E como fica o eleitor que acreditou nas acusações que Romero Jucá fez contra Flamarion, votou em Ottomar Pinto que era apoiado pelo senador e hoje assiste Flamarion abraçado a Jucá, dividindo projetos e trocando confidências? O que o povo pensa de tudo isso não interessa quando interesses pelo poder estão bem acima. Como responderia o deputado Justo Veríssimo, personagem de Chico Anísio, quando perguntado pelo seu assessor sobre alguma atrocidade cometida, "e o povo, deputado?": "O povo que se exploda!". Pior, é que se é obrigado a votar.
