- 05 de janeiro de 2026
A renda do brasileiro caiu pelo sétimo ano seguido e a criação de empregos com carteira assinada foi insuficiente. Este é o retrato de 2003, na pesquisa nacional por amostras de domicílio, do IBGE. Mas há dados que revelam avanços. Existem menos analfabetos. O trabalho infantil diminuiu. Mais brasileiros têm celular e computador em casa. A pesquisa confirma em números o que já era visível. As mulheres ganham espaço no mercado de trabalho - seja nas metalúrgicas ou na presidência de empresas. Mas, em números absolutos, há mais homens ocupados que mulheres. A pesquisa do IBGE mostra que a renda das mulheres subiu, mas elas ainda não conseguiram equiparação salarial com os homens. Ainda: só um quarto das trabalhadoras tem carteira assinada. É ferro e fogo. Trabalho pesado e perigoso na solda. Mas exercido com competência por mulheres, em uma metalúrgica no interior de São Paulo. "Aqui, a gente está tendo uma chance de mostrar que mulher não é tão frágil assim", diz a soldadora Elza Soares. "A gente coloca máscara e avental de couro. Não dá para perceber que é mulher, só depois que levanta a máscara", afirma a também soldadora Maria Helena dos Santos. Na capital, em outro reduto masculino, o tamanho do veículo não assusta a operária Cristina. Nem a quantidade de fios e cabos elétricos que vão fazer o trem andar. A desconfiança dos colegas quando ela começou, há seis anos, hoje virou respeito. "Eles me procuram para tirar dúvidas profissionais e até pessoais. Me sinto uma mãe aqui dentro", conta a eletricista Maria Cristina Cherchiglia. As mulheres têm ingressado no mercado de trabalho em número cada vez maior. No ano passado, foram 547 mil contra 524 mil homens. Uma das explicações é que elas têm mais escolaridade. "A mulher é importante em termos de qualificação técnica, de qualidade de trabalho e até por colaborar com o ambiente", acredita o gerente de recursos humanos João Luiz Fedricci. Na indústria, as vagas ocupadas por mulheres saltaram de 2,4 milhões, em 93, para 4 milhões, em 2003. Na outra ponta do mercado de trabalho, a do empregador, as mulheres tiveram um desempenho ainda mais surpreendente. Em dez anos, mais que dobrou o número de mulheres empresárias no país. Elas eram 387 mil em 93. No ano passado, chegaram a 825 mil. A empresária Patrícia Costa abriu uma transportadora de cargas em 1997. Hoje, é responsável por 840 empregados e um faturamento que cresceu 25% no ano passado. "Por a mulher ser detalhista, a gente acaba pegando a necessidade do cliente. Por isso, eu acho que a gente consegue ir de encontro ao que ele quer", diz Patrícia. Como dona da empresa, Patrícia não reclama da remuneração. Mas o salário das mulheres ainda é menor que o dos homens. "A remuneração da mulher equivale a aproximadamente 70% do trabalho masculino, enquanto há dez anos, era quase 60%. A gente está falando de dez pontos percentuais de redução de diferença do trabalho masculino", calcula o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. De acordo com o presidente do IBGE, ainda será necessária uma geração até que os salários femininos alcancem os masculinos. As mulheres ainda têm que ganhar espaço em setores como os de construção e transporte.