- 05 de janeiro de 2026
Edersen Lima, Editor Brasília - Ninguém aqui deste Fontebrasil quer ser estraga prazeres ou jogar um balde de água fria na esperança das pessoas que acreditam que o eleitor carente e acostumado com o clientelismo vá, já nesta eleição, mudar de comportamento e como num passe de mágica, depositar na urna o voto ético e consciente. Mas uma coisa é certa, essas eleições em Roraima podem marcar o início, o primeiro passo para campanhas eleitorais melhor organizadas, limpas - em termos de poluição visual das cidades - e com a Justiça Eleitoral cada vez mais próxima do eleitor. Os avanços nesse sentido são claros e dignos de registro. Mas o hábito do toma-lá-dá-cá, esse ainda estará bem vivo nesta eleição. Não se pode tapar o sol com a peneira da boa vontade e achar que na madrugada de domingo, 3, muitos moradores dos bairros mais carentes e outros nem tanto de Boa Vista, estarão dormindo e não aguardando a visita do "seu" candidato, que como Papai Noel fora de época, lhe trará "presentes". É até pueril, ingênuo pensar que a boca de urna será reprimida. Basta que a Justiça Eleitoral observe no dia 3, as camisetas que serão vestidas e as cores de fitas plásticas e de cetim que, coincidentemente, serão usadas por eleitores de bairros distantes como os do Raiar do Sol e os do Cauamé, para se ter a certeza que ainda falta muito para a conscientização: quando se vende o voto, não se pode cobrar depois. Ainda nesta eleição, muito dinheiro sem origem identificada, circulará na cidade fazendo a alegria de eleitores, ambulantes e comerciantes. Num estado onde o desemprego é alarmante e os governos estadual e municipal não têm competência para resolver questões básicas, a boca de urna se torna em algo irresistível e tremendamente necessário para o pobre eleitor. Ainda nestas eleições, denúncias de boca de urna e até de calotes de boca de urna, serão registradas, a exemplo do que ocorreu em 2002 e que até hoje, estão paradas na Polícia Federal. Talvez aí esteja o outro passo que a Justiça Eleitoral precisa com urgência tomar, pois não se pode defender o voto ético do eleitor, se a instituição não cumpre com os seus julgamentos e deixa que crimes não sejam punidos. Isso, a certeza da impunidade, estimula que os mesmos criminosos, repitam seus atos de promoverem boca de urna e de comprarem na cara dura, o voto ético.