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GREVE - Ameaça de corte de ponto irrita bancários

O aval do Palácio do Planalto ao corte de ponto dos bancários em greve do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal irritou representantes sindicais da categoria. Assim que a greve começou, há 15 dias, diretores do sindicato em Brasília acreditavam que o passado sindicalista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitaria retaliações aos funcionários dos bancos oficiais. Ontem, o tom era bem diferente.


Luís Osvaldo Grossmann Da equipe do Correio O aval do Palácio do Planalto ao corte de ponto dos bancários em greve do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal irritou representantes sindicais da categoria. Assim que a greve começou, há 15 dias, diretores do sindicato em Brasília acreditavam que o passado sindicalista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitaria retaliações aos funcionários dos bancos oficiais. Ontem, o tom era bem diferente. ''O governo chegou a divulgar uma nota na qual considerava justa a greve. Agora, muda de idéia e toma uma medida dessas. É uma traição'', disparou o presidente do sindicato dos bancários de São Paulo, Wilson Ribeiro. ''Essa ameaça nos causa repúdio. Desta forma o governo não vai controlar a greve. As ameaças só fazem os bancários se unirem ainda mais'', disse o diretor-executivo da Confederação Nacional dos Bancários, Deli Soares. Ontem em Brasília, bancários fizeram manifestações em frente a agências no Setor Comercial Sul, onde simularam o enterro do presidente da Fenaban, Márcio Cypriano. Na segunda-feira, os presidentes da Caixa e do BB foram a uma reunião no Planalto. Após o encontro, as instituições financeiras divulgaram que iriam cortar o ponto dos grevistas. A repercussão entre os bancários foi, naturalmente, ruim durante o dia de ontem. À noite, o porta-voz da Presidência da República, André Singer, sustentou que Lula não participou da decisão. ''Não cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir sobre eventuais cortes de ponto'', disse o porta-voz. ''O presidente espera que as partes cheguem a um entendimento aceitável para todos e também que bancos e sindicatos não permitam que a população seja prejudicada'', completou Singer. O entendimento, porém, parece distante. A Confederação dos bancários encaminhou uma carta ao presidente da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Marcio Cypriano, pedindo a volta das negociações, inexistentes desde que a greve começou. Mas o presidente da Fenaban, também principal executivo do Bradesco, afirmou ontem que a proposta dos bancos - reajuste de 8,5% - não será modificada; os grevistas querem 25%. Segundo Cypriano, se os bancários não cederem a questão da greve será resolvida na Justiça. Dissídio Parte da paralisação pode mesmo ser decidida hoje, na audiência de conciliação entre bancários e banqueiros no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Mas uma decisão naquele estado não tem efeito sobre a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Nesses casos, o dissídio subirá ao Tribunal Superior do Trabalho. O presidente do TST, Vantuil Abdala, recebeu novamente ontem diretores da Caixa e do BB. Ao final, deu um recado nada animador aos bancários. ''A jurisprudência do Tribunal não condena o empregador a pagar dias parados. A solução deve ser resolvida entre as partes'', afirmou. O diretor de administração do Banco Central, João Antônio Fleury, afirmou que a greve pode provocar falta de troco de pequeno valor se chegar a 30 dias. A principal preocupação é com as grandes redes de supermercado. Segundo Fleury, em situação de emergência o próprio BC pode fornecer o troco necessário diretamente às grandes redes de varejo.

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