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II Seminário de Inclusão Digital discute experiências no meio rural

O evento, que foi realizado no último dia 16 no NEAD, contou com a participação de representantes de diversos segmentos da sociedade civil, incluindo membros do governo federal, do Movimento dos Sem-Terra (MST) e de universidades, que se revezaram na apresentação dos modelos e sugestões de inclusão digital no campo.


A segunda edição do Seminário de Inclusão Digital, promovido pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD), levantou questões relevantes sobre a informatização do meio rural e serviu, principalmente, para compartilhar experiências e interesses comuns.

O evento, que foi realizado no último dia 16 no NEAD, contou com a participação de representantes de diversos segmentos da sociedade civil, incluindo membros do governo federal, do Movimento dos Sem-Terra (MST) e de universidades, que se revezaram na apresentação dos modelos e sugestões de inclusão digital no campo.

Na programação, quatro entidades expuseram seus projetos em andamento. Segundo o membro do Coletivo de Inclusão Digital do movimento, Pascal Angst, já existem 10 telecentros (centros de informática) em funcionamento no Brasil sob a chancela do MST. A previsão é ampliar esse número para 120.

Para isso, o MST conta com o apoio de várias entidades, como o Branco do Brasil e o Ministério das Comunicações, que devem contribuir tanto na aquisição dos computadores, como na formação de monitores dentro das comunidades. "Os monitores terão um papel importantíssimo nos telecentros, porque acumularão a função de educadores dentro das comunidades rurais", explicou Pascal.

A entidade utiliza também uma plataforma criada especialmente para o projeto, o MSTIX, que agrega aplicativos voltados para o trabalhador e trabalhadora rural. "Precisávamos criar uma plataforma própria para as máquinas que recebemos, já que muitas delas não funcionam direito com o Windows ou Linux", afirmou Pascal. Dentre os próximos projetos do MST para a informatização do campo, está a criação de um programa de cooperativas nos assentamentos para o uso nos telecentros.

Marcos Fadanelli Ramos, da Fundação do Banco do Brasil (FBB), exibiu as ações da entidade na inclusão digital. A Fundação conta com 50 unidades de informática no País, somando a esse número cerca de 150 educadores que auxiliam as comunidades nas ferramentas do computador. "Nossa meta é ampliar o número de unidades para 100 no próximo ano e, além disso, dobrar a quantidade de educadores", afirmou Fadanelli.

"Cerca de 60% dos pescadores do Brasil são semi-analfabetos", constatou Gilson Silva, representante da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap). Para reverter essa situação, a inclusão digital acaba se tornando um atrativo para a alfabetização dos moradores das comunidades pesqueiras. A Seap mantém projetos de informatização em várias localidades do País, contando com o suporte do Banco do Brasil na aquisição dos computadores, além de oferecer bolsas de estágio para filhos de pescadores por meio de um convênio com a Associação Nacional de Cooperativas Agrícolas (Anca).

A educação do trabalhador rural por meio da informática é o objetivo que tem unido a Universidade de Brasília (UnB) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "A intenção da nossa parceria é a educação e a formação do cidadão do campo em pesquisa com autonomia. Nós damos as ferramentas e ele faz o resto", ressaltou Cecília Leite, doutora pela UnB. Ela está à frente do projeto Escola Digital Integrada para Educação da Família rural, que visa "contribuir para o desenvolvimento sustentável e modernização da agricultura brasileira".

"O que eu percebo nos projetos de inclusão digital no meio rural é que ainda há uma ausência de projeto de desenvolvimento local", afirmou Marcos Fernandes Lima, do Ministério das Comunicações, durante o debate. Para ele, a aquisição de computadores e a instalação de telecentros não pode ser o objetivo final da inclusão digital. "Sem assistência permanente dentro das comunidades, não há inclusão", completou Hermínio Borges, responsável pelos Centros Rurais de Inclusão Digital (Crid).

Já João Ciriaco, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), reforçou a idéia de que a inclusão digital no meio rural tem que adotar um modelo de desenvolvimento. Nesse aspecto, Teodomiro Filho, representante da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), salientou a importância de se gerar economia dentro das comunidades atendidas pelos telecentros. "Shopping centers virtuais dentro das comunidades rurais seria uma excelente ferramenta de negócios", afirmou.

Marcos Fadanelli apontou a ausência de orientação estratégica dos projetos para as ações em comunidades rurais na inclusão digital e Pedro Andrade, do Ministério da Educação (MEC), sugeriu que temas como capacitação de monitores nos telecentros e a produção de conteúdos para o meio rural sejam reforçados na terceira reunião.

O próximo passo já está sendo dado, em última reunião no comitê técnico de inclusão digital (22/09), o secretário adjunto de Logistica da Informação, Rodrigo Ortiz Assupção, anunciou a criação do Grupo de Trabalho de Inclusão Digital no meio rural. Esse GT visa mapear e analisar experiências para propor formulação de políticas públicas a serem incorporadas no plano nacional de inclusão digital.



Fonte: NEAD
Com informações da SDT

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