- 05 de janeiro de 2026
Serão R$ 46 milhões para salvar vidas. O ministro da Saúde, Humberto Costa, lançou ontem a Rede Pública de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário - Brasilcord. Quando estiver em funcionamento, unidades instaladas em dez cidades brasileiras garantirão que 100% da diversidade biogenética dos brasileiros esteja representada. Na prática, o banco de cordões umbilicais representa uma esperança sem precedentes no país: 90% das pessoas que precisam de transplante terão doadores compatíveis sem ter que esperar anos na fila para voltar a levar uma vida saudável. Para coletar amostras de sangue de cordão umbilical capazes de representar toda a diversidade étnica brasileira, as unidades da Brasilcord serão instaladas em hemocentros distribuídos pelas cinco regiões do país. As cidades-sede do banco serão Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Até 2006, o investimento será de R$ 18 milhões (R$ 9 milhões por ano) para criar a estrutura física dos bancos de coleta. Durante o primeiro ano de funcionamento da rede, o ministério destinará mais R$ 28 milhões para coletar e manter quatro mil amostras de sangue do cordão umbilical. Vinte mil amostras serão suficientes para cobrir toda a diversidade étnica brasileira. No entanto, o ministério pretende ter armazenados, em oito anos, 50 mil cordões para atender à demanda de adultos e crianças. Prontos Dos dez bancos que farão parte da Brasilcord, o do Instituto Nacional do Câncer (RJ) e o do Albert Einstein (SP) estão prontos para funcionar. Além de aumentar de 35% para 90% a probabilidade de encontrar um doador compatível no país, o banco de sangue de cordão umbilical brasileiro vai contribuir com a redução de gastos na busca pelo doador. Para obter células de cordão umbilical compatíveis para transplante de medula, por exemplo, o Brasil gasta atualmente US$ 23 mil por cordão. Com a implantação da Brasilcord, o custo cairá para US$ 2 mil por cordão. Uma amostra serve para uma pessoa de até 50 quilos. O governo investirá num sistema de informação com dados de todas as unidades para manter a integração dos bancos de sangue. Assim, será possível monitorar e controlar a qualidade e distribuição segundo a lista única de receptores, centralizada no Sistema Nacional de Transplantes. LABORATÓRIO É CONDENADO Os ministros da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmaram ontem, por unanimidade, que o laboratório Syntex terá de indenizar Donizete Ferreira da Silva, de Araçatuba (SP). Ele nasceu com deformações pelo fato de sua mãe ter ingerido talidomida durante a gravidez. O valor da indenização, fixado em CR$ 358,8 milhões, será atualizado pela Justiça e deverá incluir as despesas com tratamento. Os ministros não aceitaram o argumento da empresa, segundo o qual o pedido de indenização deveria ser dirigido à União, pois a talidomida foi comercializada no Brasil após licença concedida pelo Ministério da Saúde. -------------------------------------------------------------------------------- Vacina contra o HPV Uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) está desenvolvendo uma vacina de DNA para combater o tipo mais letal do HPV, o papilomavírus humano 16, principal causador do câncer de colo de útero. Testes preliminares do produto mostram que a imunização impediu que todos os camundongos testados fossem infectados, e eliminou tumores em 40% dos casos. 'Queremos atingir uma eficiência de 100%', diz o líder do projeto, Luís Carlos de Souza Ferreira, do Departamento de Microbiologia da USP. O câncer de colo de útero é o segundo que mais mata mulheres no mundo - o primeiro é o de mama. São 288 mil mortes por ano, oito mil delas no Brasil. Quase 80% dos casos são diagnosticados em países pobres. Entre as mais de 30 cepas do vírus conhecidas pelos cientistas, o HPV16 é a mais perigosa - por isso, o alvo de diversas iniciativas profiláticas e terapêuticas de instituições públicas e privadas em todo o mundo. Ação e reação Os pesquisadores buscam estimular uma célula de defesa do corpo, para que ela aprenda a identificar proteínas que sinalizem a presença do vírus e possa, assim, destruir as células doentes. Para isso, Ferreira inseriu em um plasmídeo (um anel de DNA) dois genes do vírus, o E6 e o E7, além de um gene que expressa uma proteína do vírus do herpes genital, a fim de facilitar a expressão das informações genéticas. Esses dois genes são os responsáveis por alterar o ciclo de crescimento celular na epiderme. As proteínas geradas por eles impedem a ação de outras duas, que controlam o ritmo de multiplicação de novas células. Assim, quando o vírus infecta as células da base da epiderme, ele garante uma replicação irregular, além de prolongar a vida das versões mutantes. Em algumas mulheres, tal processo induz o surgimento de tumores. O plasmídeo foi injetado nos camundongos e as proteínas foram 'ligadas' nas células musculares do animal, ativando o sistema imunológico de forma suficiente para que uma célula de defesa aprendesse que a presença delas significa perigo para o corpo. A partir daí, o defensor começa a atacar as células que estão infectadas, inclusive as tumorais. Cerca de 10% das mulheres não têm defesa natural contra o HPV. Justamente por isso, Ferreira acredita que produtos como o desenvolvido em seu laboratório terão sua importância reconhecida em alguns anos. 'Com o avanço da genômica, poderemos fazer um teste e perceber a deficiência da paciente em apresentar uma resposta adequada do sistema imunológico para combater o vírus. Essa pessoa é candidata a receber uma vacina', afirmou.