- 03 de fevereiro de 2026
Os jornalistas precisam se esforçar para contar mais do que apenas os dois lados -os prós e contras- envolvidos em uma notícia. Mais do que relatar um problema, os repórteres e os meios de comunicação deveriam instigar os envolvidos em um "conflito" a resolvê-lo de forma criativa. A proposta é da jornalista norte-americana Jan Schaffer, diretora-executiva do Instituto de Jornalismo Interativo da Universidade de Maryland, que participou ontem do primeiro debate do 5º Congresso Brasileiro de Jornais. Schaffer defendeu o que ela chama de "jornalismo cívico" que, ao contrário de apenas relatar fatos, deve envolver os leitores na solução dos problemas. A jornalista relatou experiências de vários jornais locais dos EUA. Em um caso, um jornal regional, que todos os anos publicava textos sobre o péssimo desempenho das escolas da região, resolveu investigar com os pais, alunos e professores as causas das notas baixas dos alunos. Depois de envolver a comunidade na solução do problema, diz Schaffer, o jornal teve mais a publicar do que apenas as notas ruins que tradicionalmente destacava. O resultado: após a publicação da experiência, a população local acabou criando uma ONG e organizou-se para melhorar o sistema educacional local. "As opções eram entre publicar apenas o de sempre, ou seja, o mau desempenho dos alunos, ou escutar todas as partes envolvidas. Não escutar um especialista em educação, mas as pessoas diretamente envolvidas. Os jornalistas precisam aprender a ouvir as pessoas. Não ouvir procurando apenas frases rápidas [para ilustrar os textos]", diz a jornalista, ganhadora de um prêmio Pulitzer -o mais importante do jornalismo norte-americano- em 1978.